Brasil precisa avançar na gestão de resíduos sólidos

O Brasil precisa avançar de forma contundente na área de gestão de resíduos sólidos, uma vez que existem diversas tecnologias no setor. Contudo, o país utiliza pouco os diferentes tipos de tratamento, preferindo descartar seus resíduos em lixões. Essa realidade decorre principalmente das condições atuais, que inviabilizam de três fatores fundamentais de mudança: aumento no valor de venda de recicláveis e da energia renovável e a implantação de tecnologia de maior CAPEX e OPEX. Nesse sentido, o engenheiro Eleusis Di Creddo, da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), elencou durante o Webinar "Rotas Tecnológicas na Gestão dos Resíduos Públicos", promovido pela associação, informou a falta de sistemas compatíveis para a transformação necessária para o setor. São elas:

  • Disposição do munícipe em pagar pela coleta, tratamento e disposição dos resíduos, assim como pela coleta seletiva e pela reciclagem,
  • Logística reversa de embalagens com metas a serem cumpridas pelos fabricantes,
  • Implantação da coleta seletiva de orgânicos, visando impulsionar a compostagem,
  • Envio para regiões agrícolas e a baixo custo, composto proveniente da coletiva seletiva de orgânicos,
  • Subsidiar a energia gerada através de resíduos em plantas de digestão anaeróbia e incineração
  • Prefeituras em condições econômicas suficientes para pagar tarifa necessária para viabilizar soluções que demandem maior CAPEX e OPEX

Principais tecnologias

Di Creddo citou em sua apresentação os principais tipos de tratamento - físicos, térmicos e biológicos. E mostrou a diferença percentual entre o Brasil, a União Europeia e os Estados Unidos, como por exemplo, na reciclagem. De acordo com ele, o Brasil recicla apenas 3% dos resíduos, enquanto Europa e EUA, 22% e 28%, respectivamente. "A UE possui metas definidas. Os países repassam essas diretrizes aos fabricantes, responsáveis pela implementação, operação e suporte financeiro de sistemas de coleta e separação. Já nos Estados Unidos, 84% dos munícipes suportam a coleta naquele país", contou o engenheiro. Uma pesquisa mostrou que 75% dos americanos estão dispostos a pagar ao menos US$ 50/ano para que haja uma reciclagem adequada. No caso da compostagem, a Europa alcança um percentual de 15%, porque a grande maioria dos países tem sanções contra disposição de material orgânico em aterros. Dessa forma, há a exigência de que da estabilização biológica desse material antes do aterramento. "Há um mercado restrito para composto proveniente de matéria orgânica coletada seletivamente, comentou Di Creddo. Já os Estados Unidos, compostam 8%, mas desse total, mais de 90% vem de resíduos de jardim. O Brasil destina apenas 2% dos seus resíduos à compostagem. O engenheiro apresentou uma simulação com cinco rotas diferentes para os resíduos, usando as diversas tecnologias disponíveis. Entretanto, as rotas com maior uso de tecnologia mostraram-se inviáveis para a atual condição brasileira. Por fim, ele mostrou que os gastos das principais capitais do mundo em coleta e tratamento de resíduos é de cerca de R$ 430 por habitante/ano. Esse valor é 5 vezes maior do que a média nacional, de R$ 88 por habitante/ano. Isso reforça como o Brasil precisa avançar na gestão de resíduos sólidos. Assista ao Webinar "Rotas Tecnológicas na Gestão dos Resíduos Públicos", no Canal do Youtube da ABLP

Data publicação: 05 de novembro de 2020

Canais: Resíduos Sólido

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