Hoje o cenário mundial para as tecnologias do hidrogênio é sete vezes maior do que há um ano. O hidrogênio passou a ser visto não mais como um novo combustível para veículos, mas como “A solução” para a descarbonização da economia mundial. Em 2018, o “Hydrogen Council”, formado por 81 indústrias líderes, publicou o estudo Scalling-Up, o qual mostra que para se atingir o objetivo do Acordo de Paris, uma quantidade significativa de fontes renováveis precisa ser instalada e integrada, e setores como o transporte e a indústria precisam ser descarbonizados em grande escala.

O hidrogênio passa então a atuar na integração com fontes renováveis, na geração de energia descentralizada e substituição de matéria-prima para a indústria, no setor da construção produzindo calor e eletricidade, na mistura com o gás natural e no transporte. O cenário de 2050 mostra que o hidrogênio representará 18% da energia consumida mundialmente, reduzindo 6Gt de CO2 ao ano, eliminando os principais poluentes do ar, reduzindo o ruído das cidades, gerando uma receita de US$ 2,5 trilhões de dólares por ano e empregando 30 milhões de pessoas.

Dentro desse cenário, a produção e a exportação de hidrogênio verde representam uma nova oportunidade de negócios para o Brasil. Vários países estão se transformando em “sociedades de hidrogênio” e precisarão importar hidrogênio verde, porque não possuem fontes suficientes para atender a demanda. Hidrogênio verde é aquele produzido através de energia solar, eólica, hidroelétrica e biomassa, e o Brasil possui todas elas em abundância.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, de 2021 a 2026 haverá um excedente de 50,4 GW/hora/ano devido às variações de demanda e produção. Em vez de desperdiçar, é possível produzir hidrogênio, armazená-lo e distribui-lo para outros setores e regiões. Nos últimos 10 anos, os custos das tecnologias de hidrogênio baixaram 50%.

A Toyota está prestes a inaugurar uma nova fábrica do Mirai FuelCell, com capacidade de 30 mil veículos por ano, o que causará uma revolução no mercado. Muita gente pensa que os veículos a célula de combustível são concorrentes dos veículos a bateria, mas eles são complementares. Quanto maior o porte do veículo, maior é avantagem para os veículos a célula de combustível em autonomia (a mesma que o convencional), tempo de abastecimento (de três a cinco minutos) e custo.

Portanto, as grandes fabricantes de autoveículos estão investindo no desenvolvimento de caminhões fuelcell, e mais de 10 já estão em operação na Califórnia. Até 2025 se espera que na Europa esse número chegue a 1,600. Existem mais de 300 ônibus operando no transporte público e, em 2030, serão mais de 2 mil. Os primeiros dois trens a célula de combustível operam na Alemanha em transporte de passageiros desde 2018. Com 41 unidades já encomendadas, em 2022, a Alemanha terá a maior frota de trens de combustível do mundo. A tendência mundial é que novos investimentos sejam direcionados a favor de sistemas de energia renovável e biocombustíveis e o hidrogênio verde se tornará mais valioso do que os combustíveis fósseis.

Referência: Artigo de Monica Saraiva Panik, publicado na edição 86 da Revista Engenharia Automotiva Espacial, da SAE Brasil.

Foto: California Fuel Cell Partnership