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A cadeia produtiva do agronegócio prioriza a sustentabilidade ambiental. Essa foi uma das avaliações do Webinar ABAG – O Agro de Ponta a Ponta, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), no dia 15 de junho.

Conduzido pelo presidente do conselho diretor da ABAG, Marcello Brito, teve a participação de André Guillaumon, presidente da BrasilAgro, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé e a pecuarista Carmen Perez.

Guillaumon ressaltou a importância de haver uma unicidade de todas as entidades setoriais do agro nessa pauta. Isso porque o agronegócio acaba sendo penalizado pela criminalidade e ilegalidade ocorrida na Amazônia e em outras áreas de preservação ambiental. “É a pauta número um do setor porque o Brasil sofre muito com isso”.

Carmen reforçou que o Código Florestal Brasileiro foi muito bem feito e que todos os produtores rurais e empresas do setor seguem e respeitam as leis vigentes. “Nossa imagem está sendo prejudicada. É o produto brasileiro que está sendo degradado. Assim, é importante que haja mais ação”.

Ela comentou ainda sobre a preocupação crescente da nova geração nesse tema e com a segurança alimentar, o que implica no crescimento no consumo de produtos com manejos sustentáveis e/ou que privilegiem o bem estar animal. “Nós, produtores, dentro da porteira, temos que estar atentos a essa sensibilidade da nova geração, estando, assim, cada vez mais perto desse consumidor final”, destacou.

A ABAG vem trabalhando fortemente essa questão. Brito lembrou que ano passado, durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, foi lançada a campanha Seja Legal com a Amazônia, a fim de mostrar que o agro está a favor do meio ambiente e contra a criminalidade. A edição 2020 do Congresso será virtual e promovida em 3 de agosto.

Agro mais forte

Durante o evento da ABAG, os debatedores afirmaram que a descentralização do setor possibilitou que a produção permanecesse de forma contínua mesmo durante a quarentena. O país produz grãos e proteínas em diversas regiões, inclusive, em áreas com baixa intensidade demográfica. Com isso, além de enfrentar com resiliência o início da doença, garantiu o abastecimento de alimentos na mesa das famílias no Brasil e no exterior, mostrando seu valor e capacidade.

Contudo, o cenário pós-pandemia pode ser diferente. A expectativa é de que haja uma queda na demanda por alimentos devido à grave crise financeira mundial. Mesmo assim, a perspectiva é que o agro deva sair mais forte dessa situação.

“O agro sempre dá resposta. O que eu espero é que não fique apenas nas costas de nosso setor. Além disso, se houver uma condução econômica direcionada para nossa área, sofreremos consequências. Entretanto, não serão tão significativas como poderiam ser”, disse Melo. No café foi percebida uma queda no consumo de cafés especiais, devido ao fechamento de bares, cafeterias, restaurantes e hotéis. Já a compra em supermercados cresceu no início, mas depois se estabilizou e apresenta uma queda.

Segundo Guillaumon, o desemprego deve aumentar e, consequentemente, pode haver uma redução importante da demanda. Mas, ele lembrou que houve um desabastecimento de proteína no início da pandemia. Isso porque a peste suína africana dizimou 40% do rebanho de porcos do mundo, resultando num avanço da exportação brasileira. “O Brasil tem um custo de produção muito competitivo, o que lhe dá uma grande vantagem diante dos outros países produtores”, avaliou.

Para Carmen, o mercado da proteína tende a se estabilizar entre 2023 e 2024. Ademais, o setor trabalha com um planejamento de longo prazo, então o pecuarista não tem como diminuir seu rebanho. Ele está sempre olhando para frente”, ponderou.

Digitalização

Além da avaliação de que o agronegócio prioriza a sustentabilidade ambiental, o Webinar ABAG – O Agro de Ponta a Ponta trouxe temas relacionados à tecnologia, como a digitalização, que cresceu em todas as áreas da economia, mas também na vida social.

Os três debatedores concordaram o que agro avançou quase uma década nos últimos três meses nesse quesito. “Tudo acontecia de uma forma um pouco mais lenta no agro. Mas, hoje, mudou. O produtor está buscando soluções nesse sentido. Mas, as plataformas precisarão estar integradas. Como resultado, poderá haver uma diminuição do custo de incorporação dessas tecnologias e, consequentemente, uma adoção mais acelerada”, afirmou Guillaumon.

No caso do café, Melo ressaltou ainda que a digitalização não cresceu apenas na compra de insumos, mas também na venda do próprio produto.

Para assistir a íntegra do Webinar ABAG – O Agro de Ponta a Ponta, basta acessar o Canal da ABAG no YouTube.