O agronegócio brasileiro tem trabalhado fortemente para reduzir o impacto ambiental da atividade, por meio da adoção de tecnologias e novos métodos no plantio e na produção. Contudo, as atividades ilegais que não têm qualquer ligação com o setor prejudicam o meio ambiente e esse trabalho. Além disso, mesmo não tendo relação com a área, a ilegalidade afeta a credibilidade do agro tanto nos mercados externos, mas também perante à sociedade.

“Ela atrapalha a comercialização das empresas sérias, que passam por fiscalização contínua, adotam tecnologias de rastreabilidade, pagam seus impostos e seus funcionários” enfatizou Liège Nogueira, diretora executiva da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), durante o Webinar ABAG: Agro de Ponta a Ponta. A seu ver, é preciso combater a ilegalidade de todas as formas. Por isso, a indústria dos frigoríficos tem feito a sua parte para mitigar o problema. Entretanto, ainda há muito a ser feito na Amazônia, por exemplo, onde existe muita grilagem ilegal de terras, inclusive públicas.

Ademais, o combate à ilegalidade também pode contribuir para ampliar a rastreabilidade do rebanho bovino. E, segundo Liège, isso seria um passo para integrar os produtores rurais que, hoje, não conseguem fornecer para grandes empresas, assim como as empresas não fiscalizadas serem trazidas para a legalidade.  “É também uma questão de saúde pública”, afirmou.

A rastreabilidade ainda é importante para que o Brasil possa exportar produtos de maior valor agregado, como por exemplo o farelo de soja. Arthur Neto, sócio diretor da Alphamar, recordou que o mercado de soja cresce exponencialmente enquanto que o de farelo de soja é linear. Isso porque esse último mercado exige rastreabilidade em toda a cadeia da soja. E, conforme explicou Arthur, durante o pico da safra, às vezes, não é possível ser feito esse gerenciamento.

Planejamento

O presidente do conselho diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Marcello Brito, questionou Arthur sobre as questões dos portos e ferrovias no Brasil. Ele ponderou que o problema logístico do agro não está nos portos. “De verdade, o que falta é ferrovia”, acrescentou.

Já Roberta Paffaro, diretora de desenvolvimento de mercado da CME Group, trouxe outras duas questões importantes para a sustentabilidade do agronegócio nacional. A primeira é o planejamento. “Em momentos incertos, como os atuais, é preciso utilizar o mercado, olhar as ferramentas disponíveis e fazer um planejamento financeiro para sobreviver nesse período. É preciso ter uma gestão de risco”, destacou. O segundo ponto abordado por ela foi a questão da oferta e demanda. “Durante a pandemia, com a desvalorização do real, o produtor conseguiu ter boa rentabilidade. Com isso, cerca de 40% da soja da próxima safra já foi negociada, inclusive”, comentou.

Conforme explicou Roberta, em termos de comercialização, o preço torna-se vital. Se, por exemplo, a demanda estiver maior para grão de soja, que é o que a China está procurando atualmente, a indústria vai esmagar menos soja e vender o grão.

Por fim, Marcello Brito disse que o agronegócio pode expandir ainda mais seus negócios, adotando uma pauta que atenda todos os mercados, países e cidadãos. “Podemos nos tornar o melhor fornecedor de alimento e de carbono do mundo”, finalizou o presidente da ABAG, que convidou todos os participantes para o próximo evento da entidade: o Congresso Brasileiro do Agronegócio, a ser promovido no dia 3 de agosto, de forma totalmente virtual, e em parceria com a B3 – Brasil, Bolsa, Balcão.

Para assistir ao webinar, que debateu o tema O Agro “Depois da Porteira”: Os desafios do agronegócio no cenário da Covid-19, basta acessar o Canal da ABAG no YouTube.

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