As tecnologias waste-to-energy (WTE) são utilizadas em larga escala em todo o mundo. A exceção é na América Latina, com plantas de pirólise ou de gaseificação em escala menor ou em processo de experimentação. Contudo, essa realidade, que poderia ser vista como uma ameaça, na verdade, representa uma oportunidade de desenvolver um novo mercado nos países da região. A avaliação foi feita pelo vice-presidente do Conselho da Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (ABREN), Antonio Bolognesi, durante o Webinar BW Talks, que mostrou que o Waste-to-Energy beneficia as saúdes das pessoas e o meio ambiente.

Globalmente, são mais de duas mil plantas WTE trabalhando de forma contínua, em regime 24×7, atendendo as legislações mais exigentes referentes às emissões gasosas. O subproduto da combustão dos resíduos sólidos urbanos (RSU) podem ser sólidas ou suspensas. “As cinzas suspensas, por exemplo, são enviadas para tratamentos especiais e não oferecem risco à saúde das pessoas”, disse Bolognesi. Já a sólida é inerte e pode ser reutilizada na fabricação de cimento e materiais da construção.

De acordo com o vice-presidente da Abren, no mundo, as usinas são, normalmente, instaladas nos centros das cidades, com o propósito de evitar custos elevados logísticos, como o transporte do RSU. Entre os benefícios da tecnologia para a sociedade está a diminuição dos riscos ambientais por deixar de usar lixões ou aterros sanitários, que são considerados depósitos de resíduos, passando a usar tecnologia.

Além disso, reduz a emissão de gases de efeito estufa (GEE) e contribui para melhorar a saúde pública porque trabalha na questão do resíduo e, consequentemente, colabora com o saneamento básico.

Espaço para todas as tecnologias

Outro importante fato citado por Bolognesi no evento online, promovido dia 4 de junho, é que a tecnologia aumenta a capacidade de tratamento do RSU. E, não demanda grandes áreas para depositar resíduos, mas sim os recuperando para produção de energia. “Conforme for a rota tecnológica escolhida, seja incineração, gaseificação, pirólise ou outras, há muita tecnologia efetiva para realizar o tratamento de RSU para geração de energia ou fabricação de produtos”.

Nesse sentido, o presidente da BNPETRO, Jonny Kurtz, analisou durante o Webinar BW Talks que há espaço para todas as tecnologias. “Precisamos ver a realidade brasileira e não são todas as tecnologias que serão adequadas para atender os mais de 5 mil municípios em todo o território nacional”, disse. Para ele, o maior desafio é regulamentar o mercado para comercializar tanto a energia com os produtos finais. Portanto, é necessário que haja uma aceitação, através dos Ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia, desses produtos que são ecológicos, economicamente viáveis e com tecnologia.

Kurtz lembrou o exemplo da Europa em que existe uma tarifa diferenciada para energia produzida por meio do resíduo sólido urbano. “Em outros países, nosso setor é financiado amplamente pelos governos, mas existem formas de flexibilizar o mercado com várias tecnologias. Assim, acredito que o livre mercado é o mais saudável para ter no futuro uma solução definitiva para o resíduo sólido no Brasil”. Em sua palestra sobre gaseificação para tratamento de resíduos sólidos e produção de biocombustíveis, citou a tecnologia da BNPETRO para produção de biocombustível com álcool valor agregado.

Em termos de tecnologia, uma das mais comuns é a gaseificação. Segundo engenheiro Fausto Zuchelli, da Catavolts Delta H, é uma técnica de transformação de materiais carbonosos sólidos ou líquidos, por meio processos termoquímicos.

Gaseificação e outras tecnologias

Os materiais usados na gaseificação são o RSU, lodo, carvão mineral, pneu, entre outros, que em sua composição molecular há uma associação ao carbono. “Por que gaseificar? A resposta é porque ela facilita um pouco o uso do material. A queima de um sólido ou de um líquido é sempre uma queima mais complicada, enquanto a de um gás é mais simples”, acrescentou Zuchelli, que ministrou a palestra gaseificação em leito fluidizado circulante para tratamento de resíduos.

Outra tecnologia apresentada durante o Webinar BW Talks foi o reator de leito fluidizado para tratamento de resíduos com elevador teor de orgânicos. O diretor da Ember Lion Brasil, Reges Dias, disse que essa tecnologia é amplamente flexível para receber diversos tipos de materiais. Ou seja, é viável para rejeitos de Estação de Tratamento de Efluentes (ET) Urbano, ETE Industrial e RSU brasileiro. Como resultado, ele pode diminuir o passivo ambiental e reduzir em 90% o volume destinado aos aterros.  “A tecnologia pode atender quantidades maiores que 200 toneladas de resíduos por dia”.

Por fim, o CEO da Sílex, Luiz Gilberto Lauffer, abordou o pioneirismo brasileiro no desenvolvimento de usinas de pirólise e gaseificação. Para isso, ele apresentou as diversas tecnologias de reuso e cogeração de energia tanto térmica como com gaseificação gerando energia elétrica, a partir de resíduos urbanos, de saúde e industriais.

O webinar BW Talks mostrou que o Waste-to-Energy beneficia as saúdes das pessoas e o meio ambiente. A moderação foi do advogado Yuri Schmitke, Presidente da ABREN e curador do Núcleo Temático Waste-to-Energy da BW Expo, Summit e Digital 2020. A abertura ficou a cargo de Afonso Mamede, Presidente da Sobratema.

A íntegra do webinar está no canal da Sobratema no YouTube.