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A ABNT NBR 15575: Edificações Habitacionais – Desempenho é a norma que trata do desempenho das edificações habitacionais. Publicada em fevereiro de 2013, foi desenvolvida com a finalidade de elevar, cada vez mais, o padrão de excelência dos empreendimentos. Nesses sentido, quais seriam os caminhos para atender a Norma de Desempenho, utilizados por construtoras, indústria e arquitetos?

Com seis partes, a norma apresenta os requisitos de desempenho para sistemas estruturais, de piso e de vedações, coberturas e aparelhos hidrossanitários. Além disso, estabelece responsabilidade e define o conceito de vida útil de projeto.

Confira abaixo parte de uma matéria publicada na edição 235 da revista Téchne e republicada pela Ca2 Consultores Ambientais Associados que mostra os caminhos para atender a Norma de Desempenho.

Um manual para mil leitores

Nem só projetistas e construtoras estão se empenhando para implementar a ABNT NBR 15375 em sua rotina. A indústria fornecedora também está trabalhando para atender às exigências em relação ao desempenho e à durabilidade de seus materiais, componentes e sistemas. Entre os trabalhos mais abrangentes está o do Sinduscon-RS em parceria com o ITT Performance, da Unisinos.

Logo após formar um grupo de estudo com construtoras e incorporadoras associadas, a Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (Comat/Sinduscon-RS) concentrou esforços para ajudar na qualificação da cadeia local. Além de ensaios solicitados aos fabricantes, a iniciativa inclui encontros que alternam workshops teóricos e visitas a canteiros. O objetivo é que os participantes troquem experiências e conheçam in loco as soluções adotadas.

“Ainda tem muita gente no início desse percurso, mas cada vez há mais empresas interessadas, se envolvendo e buscando informações”, Roberto Sukster, integrante da comissão. Uma dessas empresas é a Pauluzzi, fabricante de blocos cerâmicos, localizada em Sapucaia do Sul (RS).

Ela participou de uma das reuniões com o objetivo de identificar quais de seus produtos os construtores queriam ensaios. O resultado está nos mais de 160 ensaios que deram origem ao manual técnico “Desempenho: Sistemas de alvenaria com blocos cerâmicos Pauluzzi”. Ele foi desenvolvido com a ajuda da consultora Maria Angélica Coveio Silva.

Segundo Juan Carlos Germano, diretor da empresa, a publicação apresenta os requisitos da norma e o desempenho de todas suas linhas de produtos. Por atender a ABNT NBR 15.575, pode ser usada como referência.

O evento para o lançamento do manual reuniu mais mil pessoas em Porto Alegre. Esse número dá a dimensão do quanto o mercado busca informações técnicas para se ajustar à norma. As ações dos fornecedores de produtos cerâmicos não se restringem à Pauluzzi.

Blocos

De acordo com Natel Moraes, presidente da Associação Nacional da Indústria Cerâmica (Anicer), o setor está focado nos ensaios de caracterização das amostras de blocos e telhas e o resultado deste trabalho logo será disponibilizado.

Desde a publicação da ABNT NBR 15.575, o setor de blocos de concreto também vem realizando diversos ensaios do Sistema de Vedação Vertical com alvenaria de blocos, com a finalidade de conhecer, validar e apresentar aos projetistas e construtores os seus respectivos desempenhos.

Segundo o engenheiro Anderson Oliveira, do Sinaprocim/Sinprocim e gerente do PSQ de Blocos de Concreto, os resultados dos primeiros ensaios estão disponíveis desde 2014 no site da Bloco Brasil —Associação Brasileira da Indústria de Blocos e de Concreto.

O setor de cimento também vem realizando, desde a publicação da norma, diversas ações de difusão e discussão da ABNT NBR 15.575. Por meio do movimento Comunidade da Construção, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) promove oficinas e seminários em várias cidades brasileiras.

O arquiteto na mira

A formação dos arquitetos tem sido alvo de críticas por se concentrar mais na discussão teórica da arquitetura do que nas demandas do mercado.

De acordo com Marcelo Nudel, sócio-diretor da Ca2 Consultores Ambientais Associados e curador do Núcleo Temático Construção Sustentável da BW 2020, as boas normas internacionais de eficiência energética, assim como a ABNT NBR 15.575, colocam a responsabilidade do conforto ambiental no projeto de arquitetura.

O consultor explica que é comum no Brasil o arquiteto não assumir responsabilidades técnicas sobre o projeto e por isso vem perdendo espaço. “O arquiteto só vai mudar quando o contratante passar a pedir laudos para ter a garantia de que o projeto atende a todas as exigências”, afirma. Nudel sugere a avaliação dos níveis de desempenho térmico pelo método da simulação a partir de modelos computacionais.

“Se o resultado for igual ou melhor do que o obtido pelo método prescritivo, o projeto vai atender à norma”, enfatizou Nudel.

Mão na massa

Os caminhos para atender a Norma de Desempenho na Tarjab, por exemplo, demandaram treinamento das equipes. Além disso, foram necessárias adaptações dos procedimentos de projeto, compras e execução da obra.

Ademais, a empresa passou a exigir de seus fornecedores ensaios e laudos que agora fazem parte da documentação do projeto. Ela investiu, ainda, na realização de outros ensaios, como os de acústica ou de arrancamento de fachada, e treinou equipes próprias para realizar ensaios para avaliação de desempenho das alvenarias com blocos de concreto estanqueidade.

O primeiro fruto desse trabalho foi o empreendimento residencial Soberano, em São Paulo. De acordo com a Tarjab, é o primeiro do estado que comprova com ensaios e laudos o pleno atendimento aos critérios da ABNT NBR 15.575.

A adaptação à norma, prevê a Tarjab, deve elevar o custo dos empreendimentos a partir de 2%, conforme o padrão. Isso porque muitas das principais mudanças trazidas pela norma dizem respeito ao projeto de arquitetura.

“Nem tudo é custo”, afirma Carlos Borges, presidente-executivo da Tarjab.

Nudel, da Ca2 Consultores, concorda. “A ABNT NBR 15.575 não traz um alto nível de exigências técnicas. Além disso, não requer soluções onerosas e pode ser atendida com materiais tradicionais na grande maioria das vezes. A parede de alvenaria, com emboço e reboco, variando apenas as espessuras conforme o posicionamento do prédio, o tamanho e o espaço, atende a exigências de desempenho térmico em todo o Brasil”, exemplifica.

A corrida para o atendimento à norma envolve também empresas de arquitetura, como o escritório Aflalo/Gasperini. Com diversos edifícios residenciais no portfólio, buscou consultoria para treinar a equipe de projeto e especificação, a fim de garantir o atendimento às exigências da ABNT NBR 15.575.

Fonte: Revista Téchne 235

Republicada pela Ca2 Consultores Ambientais Associados

Foto: Tarjab