Com a finalidade de contribuir na construção de ambientes mais saudáveis e apoiar a melhoria na saúde e bem-estar das pessoas, a certificação Fitwel foi criada pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC) e o General Services Administration (GSA), ambos dos Estados Unidos. Mas, será que o mercado precisa de mais uma certificação? 

Para responder a essa pergunta, é importante recordar brevemente o histórico dos sistemas pioneiros de certificação de edifícios. Ou seja, aqueles voltados à construção sustentável.

Em 1990, o BREEAM se tornou o primeiro sistema de certificação do mundo para edifícios sustentáveis. Então, em 2000 o Green Building Council, dos Estados Unidos, lançou sua própria versão, o LEED, que se tornou o sistema de certificação para greenbuildings mais relevante e disseminado do mundo.

Já em 2014, aproveitando a onda da obsessão moderna com o bem-estar, o WELL Building Standard entrou em cena como o primeiro sistema de certificação, focado inteiramente na saúde dos ocupantes.

WELL

Nesse sentido, o WELL se destaca ao apresentar, pela primeira vez, as pesquisas mais recentes sobre o quão profundamente a fisiologia e a psicologia humana são afetadas pelo ambiente construído. Com isso, ofereceu um conjunto de critérios de projeto e operação para lidar com tais impactos.

O sistema trouxe ao mercado ideais de melhoraria da saúde, aumento no conforto e satisfação dos usuários e, no caso dos espaços de trabalho, o consequente aumento na produtividade de funcionários. Afinal, quem não quer isso? Estava, portanto, traçado um excelente business case para a certificação WELL.

Contudo, a realidade chegou para os primeiros adotantes. E isso significou uma grande tarefa: consultores e gerentes de projetos iniciaram uma curva de aprendizado extremamente longa. Os mais de 100 créditos do sistema possuíam fortes evidências científicas, mas eram também bastante enraizados na realidade de mercado norte-americano. Como resultado, alguns dos critérios simplesmente não puderam ser alcançados com os materiais, tecnologias e técnicas construtivas existentes em outros países.

O que ficou claro foi que o WELL era apenas atingível para os grandes orçamentos ou quem possuía tempo extra de projeto. Exigia um nível surpreendente de comprometimento, investigação e suporte adicional de consultorias. Isso aumentava a complexidade do processo, muito além de um sistema de certificação para greenbuildings aos quais o mercado já estava habituado.

Após o baque inicial sofrido por esses pioneiros, o International WELL Building Institute criador e gestor do WELL  passou muito tempo conversando com profissionais experientes do mercado. Assim, em 2018 lançou a versão 2.0, abordando muitos dos problemas iniciais, diluindo ou removendo alguns dos problemas encontrados na versão 1.0.

Fitwel

Mas, antes do lançamento dessa versão, surgiu o “New Kid on the Block” chamado Fitwel. O aumento da conscientização e do desejo pela construção de ambientes mais saudáveis ​​gerados pelo WELL criou um desejo no mercado internacional para um guia de saúde e bem-estar em edifícios que pudesse ser aplicado a qualquer empreendimento de qualquer condição, idade, localização e porte, e não apenas aos ricos e suntuosos edifícios corporativos Triple A.

A partir da criação da certificação Fitwel, os incorporadores e proprietários agora podem se concentrar no que é possível dentro de seu orçamento disponível e progredir em direção a iniciativas mais amplas ao longo do tempo.

O Fitwel apresenta duas diferenças marcantes em relação ao WELL. Primeiro – e acredito mais importante – é o custo. Comparado aos outros, ele tem um valor significativamente mais baixo, tanto em suas taxas de certificação quanto no suporte de consultoria necessário.

O segundo é sua complexidade. O Fitwel facilita a interpretação e aplicação das evidências científicas que suportam suas estratégias. Consistindo em 70 estratégias de projeto ou operação, cada uma tem um valor de pontos diferente, totalizando um máximo de 144.

A certificação é alcançada quando se atinge o limite mínimo de pontos para cada um dos níveis de certificação (1, 2 ou 3 estrelas). Quais estratégias você adota para obter esses pontos são escolhas suas e é isso que o torna ótimo para empreendimentos novos e os existentes.

Orçamento

A certificação pode se adaptar a orçamentos variados e à sofisticação que se deseja dar aos empreendimentos. A Estratégia 4.7, por exemplo, propõe a instalação de um sistema que fornece informação aos ocupantes sobre opções de saúde e lazer existentes no entorno (parques, praças, academias, restaurantes e mercados saudáveis, etc) – se você optar por instalar uma tela sensível ao toque com todos os badulaques e tecnologias mais avançadas ou um simples quadro de cortiça é irrelevante. O que importa é a essência.

Há também um forte foco na melhoria do bairro e entorno, afetando o bem estar da comunidade ao reduzir o efeito dos desertos urbanos indesejáveis e quarteirões murados e sem vida. O Fitwel, ao propor a construção de ambientes mais saudáveis, combate esses modelos. Afinal, ele preconiza fachadas ativas com comércio, arte urbana, parklets, e outros equipamentos urbanos para uso comunitário.

Todos aqueles que desejam abordar a saúde e o bem estar no ambiente construído de maneira estruturada e estabelecer um engajamento nesse sentido com seus funcionários, ou com aqueles que compram ou alugam seus produtos imobiliários, deveriam dar uma olhada no que o Fitwel tem a oferecer.

Referência: Tradução livre do artigo de Georgia Elliot-Smith, diretora da consultoria em projetos sustentáveis Element 4, do Reino Unido, título Another certification scheme? Fitwel is the new kid on the block.

Republicada pela Ca2 Consultores Ambientais Associados

Imagem: CBRE