O vidro é um elemento construtivo bastante utilizado em fachadas. Contudo, qual é sua contribuição na composição de envoltórias de alto desempenho ou sustentáveis? Para responder essa e outras perguntas, o Boletim do Vidro entrevistou o arquiteto e urbanista Marcelo Nudel, diretor da Ca2 Consultores Ambientais Associados.

Nudel explica que prefere a denominação envoltórias de alto desempenho para se referir às envoltórias sustentáveis, porque o conceito de sustentabilidade é muito amplo. Ademais, envolve questões que vão além da competência dos vidros ou de outros elementos construtivos da fachada.

Afinal, valorizar um elemento construtivo da perspectiva da sustentabilidade permite delimitar com mais precisão sua função.

Confira a entrevista.

Qual a contribuição para a composição de envoltórias de alto desempenho do vidro de controle solar?

Marcelo Nudel: O vidro é componente sempre presente nas envoltórias, que são a primeira linha de defesa dos edifícios contra ganhos térmicos excessivos. As fachadas também são responsáveis por admitir ou barrar a luz natural, além de regular algumas condições de conforto térmico.
Vidros de controle solar, especialmente low-e e quando combinados com elementos de sombreadores externos, são sempre alternativas recomendadas para edifícios que almejam um bom equilíbrio entre as variáveis de energia, conforto ambiental e luz natural.

E quanto aos vidros insulados?

Marcelo Nudel: Quando dotados de tecnologia de baixa emissividade, os vidros duplos atingem excelente controle de cargas térmicas, com adequada penetração de luz natural e reluzida refletividade ou aspecto espelhado. Apesar de ainda ser pouco utilizado no Brasil, esse tipo de vidro pode se altamente benéfico em algumas regiões de nosso pais, em especial aquelas de clima predominantemente quente.
No entanto, insisto sempre em meus projetos que vidros de alto desempenho compõem uma parte de solução, ou seja, não oferecem respostas a todos os problemas.

Que outros quesitos devem ser levados em consideração para uma solução adequada do ponto de vista sustentável?

Marcelo Nudel: As fachadas devem ser sempre pensadas inicialmente em sua orientação solar e na composição de elementos sombreadores externos, como o brise-soleil. Na sequência, observa-se a aplicação de vidros de alto desempenho e, por fim, elementos internos de sombreamento, que possuem potencial limitado, mas auxiliam no processo de produção de envoltórias de alto desempenho. Fachadas de alto desempenho ambiental são compostas pela combinação da boa arquitetura bioclimática com a tecnologia dos vidros de controle solar.

Matéria publicada originalmente no Boletim do Vidro – nº 30

Republicada pela Ca2 Consultores Ambientais Associados

Foto: Tower Bridge Corporate – Elo Gerenciadora