A diminuição dos gases de efeito estufa são uma meta de todos os países preocupados com a questão do meio ambiente. Nesse sentido, o hidrogênio pode ser um bom aliado para a descarbonização do planeta. Por esse motivo, a Coreia do Sul aposta na energia a hidrogênio. Em janeiro de 2019, o Ministério do Comércio, Indústria e Energia estabeleceu metas para o hidrogênio a longo prazo, com o propósito de acelerar a adoção dessa fonte de energia.

Entre os objetivos estabelecidos estão o desenvolvimento de comunidades que utilizarão o hidrogênio como fonte principal para geração de energia e o aumento do número de carros de passageiros, ônibus e pontos de carregamentos de hidrogênio. Como resultado, será criado um novo ecossistema, tornando-se o hidrogênio um novo mecanismo de crescimento para a economia coreana.

Desde esse anúncio, a cidade de Seul, por exemplo, iniciou um movimento para promoção de carros de passeio e veículos comerciais movidos a hidrogênio, em parceria com grandes empresas, como a Hyundai Motor Group. Com isso, houve um aumento das estações de carregamento de hidrogênio e a oferta de subsídios governamentais para a compra desses veículos.

De acordo com a publicação Korea Herald, em 2019, o governo destinou 130,4 bilhões de won em subsídios para veículos a hidrogênio. Também foram aportados 105,7 bilhões de won em infraestrutura de carregamento de hidrogênio. A expectativa é que o mercado coreano de hidrogênio possa alcançar 70 trilhões de won em 2050.

Cidades

Entretanto, a iniciativa da Coreia do Sul é maior do que apenas a questão da mobilidade. Em outubro de 2019, o Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes (MOLIT) anunciou que escolheria três cidades para estabelecimento de vários projetos piloto de hidrogênio. Em dezembro, foram escolhidos os municípios de Ansan, Ulsan e Jeonju / Wanju. Além disso, o ministério também destacou a Samcheok, como a cidade de Pesquisa e Desenvolvimento em hidrogênio.

Logo após o anúncio, o governo coreano vem preparando um projeto para essas cidades a ser divulgado ainda neste primeiro semestre. Na segunda metade do ano, ele planeja iniciar a construção de gasodutos e concluir a construção das cidades piloto de hidrogênio. Serão investidos, aproximadamente, 11 milhões de euros até 2022.

Samcheok servirá como um município modelo para o desenvolvimento da tecnologia de infraestrutura para as cidades de hidrogênio. Enquanto Ansan (uma hora ao sul de Seul) se tornará uma cidade ecológica, ao ligar a geração de energia das marés à produção de hidrogênio. Além disso, uma cidade de empreendedorismo inovador será estabelecida e 232 casas serão abastecidas com hidrogênio.

Já Ulsan (um dos centros da indústria química) construirá uma rede de dutos para utilizar hidrogênio, gerado em complexos petroquímicos, para edifícios e estações de carregamento no centro da cidade.

Espera-se que Wanju (cerca de duas horas ao sul de Seul) atue como uma base regional de produção e fornecimento de hidrogênio. Por fim, Jeonju (a apenas 10 km de Wanju) servirá como cidade de publicidade na utilização de hidrogênio.

De fato, a Coreia do Sul aposta na energia a hidrogênio. Por isso, o governo planeja transformar 10% das cidades do país em municípios movidos a hidrogênio até 2030. Em 2040, a proposta é chegar em 30%. O intuito é ganhar uma participação considerável nos crescentes mercados de hidrogênio do mundo.

Fotos: FuelCellsworks