Atualmente em processo de revisão, a Norma de Desempenho em Edificações Habitacionais – ABNT NBR 1.5575 estabeleceu requisitos mínimos de qualidade, durabilidade, segurança e desempenho para as construções habitacionais brasileiras. Mesmo assim, ainda existem questões relacionadas aos critérios de desempenho térmico das edificações.

Para corroborar com essa situação, a Ca2 Consultores Ambientais Associados elaborou o e-book Desempenho Térmico sob a Ótica da Norma de Desempenho, que traz um guia prático e uma análise crítica para a aplicação dos requisitos de desempenho térmico em projetos residenciais. Desse modo, poderá beneficiar arquitetos, incorporadores e construtores no processo de atendimento. A publicação conta com o apoio institucional da Construliga e do Green Building Council Brasil.

De fato, a Norma de Desempenho tem contribuído para o desenvolvimento do mercado. O foco real de sua aplicação tem sido nos requisitos mais tangíveis, além daqueles com maior chance de litígio, ou seja, os relacionados à durabilidade, segurança e, em alguns casos, o conforto acústico.

Mas também é obrigatório atender aos critérios de desempenho térmico das edificações. E essa responsabilidade deve ser compartilhada entre o arquiteto responsável pelo projeto, que especifica materiais, a incorporadora e construtora que executam conforme essas especificações.

Entretanto, nos últimos anos, em conversas com dezenas de incorporadores e arquitetos, percebi que a maioria não está 100% tranquilo ou confiante de que atende a Norma de Desempenho em sua totalidade. Nesse sentido, o desempenho térmico está entre um dos itens mais “nebulosos”, mesmo para profissionais e empresas gabaritadas no mercado.

Cálculos especializados

A elaboração de estudos e relatórios técnicos de desempenho térmico exigem cálculos especializados e simulações computacionais, ainda pouco aplicadas no nosso mercado. A verdade é que não se faz mais projeto como há 10 anos atrás. Não são estudos que demandam investimento significativo, não afeta metodologias de trabalho nem tão pouco o cronograma de projetos.

Incorporadores e arquitetos são ambos responsáveis e podem ser acionados judicialmente em caso de não cumprimento. Imagino que por acreditarem que “ninguém olha pra isso” ou que “o consumidor desconhece essa obrigatoriedade”, eles estão aceitando o risco e desenvolvendo projetos sem os devidos estudos técnicos de desempenho térmico.

Isso significa RISCO! E o resultado desse risco pode custar caro em caso de litígio no futuro. A oportunidade de se livrar dele está no início de cada projeto. Mas vale também lembrar que, além de serem obrigatórias, as normas técnicas devem ser cumpridas pelos engenheiros e arquitetos também por dever ético-profissional.

Atender aos critérios de desempenho térmico além de trazer segurança jurídica, assegura a entrega de melhores empreendimento à clientes finais. E cliente feliz gera mais negócios para sua empresa!

Por Marcelo Nudel

Fonte: Ca2 Consultores Ambientais Associados