Um estudo encomendado pela Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren) mostra custo evitado com a adoção da tecnologia Waste-to-Energy (WTE). Elaborado pela pesquisadora Leontina Pinto, da Engenho Consultoria, o relatório mostra que o preço da energia produzida pelas usinas WTE poderia chegar a um custo real de R$ 33,00/MWh, ao se considerar o custo evitado pelo processo de combustão mass burning.

De acordo com Yuri Schmitke, presidente da Abren, esse custo representaria, sem dúvida, um valor abaixo dos referencias de outras fontes de energia. “Isso inclui as fontes que mantém subsídios para a sua produção”, disse.

O estudo teve como foco o custo evitado (redução no impacto orçamentário) com a adoção da tecnologia Waste-to-Energy na saúde publica, transporte do lixo e transmissão de eletricidade. Desse modo, foram considerados diversos aspectos que envolvem os resíduos sólidos urbanos, como por exemplo, o custo do transporte dos RSU para aterros. Em algumas cidades, é necessário percorrer mais de 90 km para chegar ao aterro, gerando gastos.

Além disso, também foram avaliadas as despesas do sistema de saúde com as doenças provenientes do manejo desse resíduo e os custos com a transmissão de energia elétrica. “As usinas WTE são conectadas no centro de carga, diretamente na rede de distribuição, portanto, sem despesas de transmissão”, avalia Schmitke.

Como resultado, há uma economia ou custo evitado de R$ 417,00/MWh para os cofres públicos. Isso porque foram eliminados os gastos dos três itens citados anteriormente, transporte (R$ 300,00/MWh), saúde (R$ 80,00/MWh) e transmissão (R$ 37,00/MWh).

Outro estudo da Abren mostra ainda que o preço médio da energia elétrica produzida pelas usinas WTE deve ficar entre R$ 350,00/MWh a R$ 550,00/MWh.

Oportunidade para investir

O Grupo Lara está planejando investir R$ 1 bilhão em um projeto de uma Usina WTE, em Mauá (SP). Conforme Daniel Sindicic, presidente da companhia, a expectativa é que sua receita venha da taxa municipal do lixo e da venda de energia elétrica. Também estão sendo consideradas as receitas acessórias, como energia térmica, escória e recicláveis.

Ele espera do governo ter a chance de “colocar a energia que produzir no mercado brasileiro de forma justa e clara”. “Não iremos impactar o consumidor final. É uma boa oportunidade para investir. Mas precisamos ter segurança jurídica e certeza de um preço mínimo”, resumiu.

Nesse sentido, a Abren elaborou sugestões alternativas para viabilização de projetos de usinas WTE no país. Elas foram apresentadas ao Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque:

  1. Leilão Regulado dedicado/exclusivo à fonte de tratamento térmico de resíduos e biodigestão anaeróbica para produção de biogás.
  2. Imediata reformulação da Portaria nº 65/2018, que ainda mantém um valor desatualizado para o megawatt hora da energia proveniente de tratamento térmico e não obriga as distribuidoras a adquirem a energia compulsoriamente.
  3. Abertura antecipada do Mercado Livre para a energia produzida por usinas WTE, para julho de 2021

“Chamada publica seria o melhor modelo, com um VRES real, conforme calculado pela Empresa de Pesquisa Energética em abril de 2020”, sugeriu Schmitke.

Para o Ministro Albuquerque: “a energia proveniente do WTE faz parte das tecnologias que podem mais facilmente ser implementadas na retomada do crescimento. O momento favorece a opção por esta fonte de energia”. Ele recomendou ainda a continuidade dos estudos, com a participação conjunta dos Ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Regional, com o propósito de encontrar uma definição para a questão econômica e de segurança jurídica.

Fonte: Abren – Ministro de Minas e Energia reúne com ABREN

Foto: ArchDaily