A geração de energia a partir da utilização de resíduos sólidos é uma alternativa para diminuir o impacto ambiental e melhorar a saúde das pessoas. Assim, as tecnologias waste-to-energy (WTE) podem ser a solução para aumentar o tratamento do resíduo para gerar energia. Desse modo, o Decreto nº 10.387 beneficia a construção de usinas WTE, uma vez que cria novos mecanismos para emissão de debêntures verdes. O objetivo é financiar projetos de infraestrutura que tragam benefícios ambientais ou sociais relevantes.

O novo decreto, publicado no dia 5 de junho, impulsiona a implantação de novas fontes renováveis de energia. Isso porque cria condições mais favoráveis à obtenção de financiamento para construção de usinas movidas a resíduos sólidos urbanos. Outras áreas beneficiadas são energia solar, eólica e pequenas centrais hidrelétricas com densidade de potência mínima de 4 W/m² de área alagada.

Em entrevista para o Canal Energia, o presidente da Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren), Yuri Schmitke, elogiou o decreto. Contudo, destacou que as tecnologias de tratamento térmico de resíduo têm potencial de atrair R$ 40 bilhões em investimento com a recuperação de 35% dos RSU. Schmitke é curador do Núcleo Temático Waste-To-Energy na BW Expo, Summit e Digital 2020.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, com o decreto, poderão ser implantados no país mais de 3 GW em novos projetos de pequenas centrais hidrelétricas. Além disso, podem ser viabilizados mais de 25 GW em parques eólicos e mais de 8 GW em novas usinas fotovoltaicas. Estima-se que esses projetos poderão atrair R$ 170 bilhões em investimentos até 2029.

Usinas WTE

Para a Abren, a viabilização das usinas que geram energia a partir do lixo está cada vez mais próxima. E o decreto beneficia a construção de usinas WTE. Elas possibilitarão reduzir a contaminação do solo e das águas provocada pelos mais de 2.500 “lixões” ainda ativos no país. Podem resolver graves problemas ambientais, especialmente em grandes cidades, onde os aterros estão chegando ao seu limite. Ademais, os locais para novos aterros ficam cada vez mais longe.

O aproveitamento energético dos resíduos sólidos urbanos poderá, junto com as demais fontes renováveis, trazer investimentos da ordem de R$ 40 bilhões e gerar milhares de empregos em todo o Brasil.

Por fim, os projetos de usinas de recuperação energética de resíduos sólidos por incineração geram energia limpa mais barata que 33% das termoelétricas existentes, conforme cálculos da ABREN. Assim, além de haver uma questão financeira, há um elevado benefício ambiental e de saúde pública que deve ser considerado.

Fonte: ABREN

Imagem: Sitawi