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O setor de data center tem crescido exponencialmente e até 2030 a expectativa é de uma alta de 500% globalmente. Contudo, a área ainda está baseada em uma economia linear, com seus produtos não sendo projetados para facilitar a reciclagem de seus componentes. Além disso, o equipamento também inclui componentes exclusivos de várias gerações e modelos, o que proíbe a intercambialidade e limita a reutilização. Assim, existem inúmeros desafios para a economia circular na indústria de data center.

Atualmente, o setor tem se concentrado em fatores operacionais e no fornecimento de um serviço cada vez mais rápido e 100% ininterrupto. Como resultado, a consideração de muitos outros fatores, além da eficiência energética operacional foi marginalizada. Isso significa que essa indústria para a geração de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos (REEE), cujo fluxo cresce globalmente de forma mais acelerada. Com isso, a cada ano, milhões de toneladas de recursos são desperdiçados. Ademais, o mercado de REEE é agravado pela falta de investimento e desenvolvimento de infraestruturas de coleta e reciclagem adequadas.

O REEE inclui uma série de matérias-primas críticas (CRM) – materiais advindos de reservas não mineradas muito limitadas -, que estão localizadas em áreas geopolíticas sensíveis. Sua substituição não é possível e, mesmo o volume a massa sendo irrisórios, o equipamento não pode funcionar sem eles. Durante a pandemia, em um momento em que a dependência de serviços de dados é ainda mais significativa, houve a interrupção temporária dessa cadeia de suprimentos.

Devido a sua importância, o setor de data center precisa, portanto, buscar a economia circular. Embora os primeiros três estágios de vida do produto sejam os mesmos da economia linear – obter recursos, fazer e usar produtos – no final da vida, os materiais não são descartados como resíduos, mas reciclados e recuperados para uso, criando um ciclo virtuoso.

Repensar muitas estratégias

A economia circular inclui estratégias e práticas que, simultaneamente, reduzem o desperdício, estendem a vida do produto e aumentam a eficiência dos recursos.

Entretanto, os desafios para economia circular na indústria são inúmeros. Isso envolve repensar muitas estratégias e processos, começando com o design. Aproximadamente 70% do impacto ambiental de um produto é determinado durante a fase de design. E, os equipamentos foram projetados sem considerar esse ciclo, o que torna sua renovação tecnicamente difícil na melhor das hipóteses, e impossível, na pior.

O mesmo vale para a reciclagem. E, isso é exacerbado pelo comportamento dos usuários quanto à segurança dos dados. Assim, eles insistem na fragmentação de componentes ao invés de limpar os dados, por meio de processos de desmagnetização e baseados em software, por exemplo.

Sem dúvida, mudanças no projeto e na fabricação devem facilitar a desmontagem, separação, reforma e reciclagem, o que contribuirá para o desenvolvimento de uma economia circular no setor. E se isso for instigado, o potencial de impactos econômicos, ambientais e sociais positivos decorrentes de uma economia circular setorial será considerável até 2030.

Caso haja o desenvolvimento de uma infraestrutura para reciclagem e recuperação de materiais, por exemplo, a poderia reduzir suas exportações e o impacto ambiental do transporte marítimo.

Embora, em um primeiro momento, a demanda por materiais aumente a utilização de aterros, as taxas de reciclagem mais altas limitarão essa atividade. Outro benefício é tornar a identificação e o rastreamento de componentes e materiais mais simples. Todos esses fatores melhorarão o monitoramento e o controle da qualidade dos reciclados. Como resultado, haveria o crescimento do mercado e o barateamento de preços ante às matérias primas originais.

Extensão da vida útil do produto

Além disso, a economia circular possibilita estender a vida útil do produto, por meio da reutilização. A refabricação será impulsionada conforme as tecnologias de sanitização de dados melhorarem e a confiança no processo for aprimorada. Indiretamente, essa tecnologia reduzirá simultaneamente a fragmentação de componentes, tornará a reciclagem mais simples e eficiente e aumentará a recuperação de CRM.

Os benefícios de uma economia circular setorial são evidentes. Mas o desenvolvimento de uma economia circular requer adesão e troca de conhecimento de especialistas e empresas de todos os estágios do ciclo de vida e associados ao setor.

Assim, a iniciativa CEDaCI (Circular Economy for the Data Centre Industry), lançada em janeiro de 2019, tem o objetivo de estimular a economia circular no setor de data center. O projeto é liderado pela London South Bank University e trabalha com parceiros da indústria, universidades e organizações sem fins lucrativos no Reino Unido, França, Alemanha e Holanda.

Referência: Intelligent CIO – From cradle to cradle – Creating a Circular Economy for the data centre industry

Imagem: Colocation America