A economia circular pode ser uma aliada para o setor imobiliário aumentar sua rentabilidade, ao mesmo tempo em que reduz sua pegada ambiental e contribui para a descarbonização do planeta. Essa conclusão decorre da pesquisa From Principles to Practices: Realising the value of circular economy, divulgada pela Arup e pela Fundação Ellen MacArthur, em parceria com o escritório de arquitetura e inovação 3XN / GXN e as consultorias JLL e Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS).

O relatório desenvolveu cinco modelos de negócios imobiliários de economia circular e testou o desempenho financeiro de cada um. Para isso, utilizou dados de projetos em desenvolvimento, situados em cinco cidades europeias (Aarhus, Amsterdã, Berlim, Londres e Milão). Desse modo, a publicação mostra como os princípios de economia circular podem ser aplicados na prática. Além disso, demonstra que esses conceitos podem oferecer um desempenho financeiro sustentável para tipos diferentes de edificações.

Os cinco modelos propostos pela publicação são:

  • Espaços flexíveis: baseia-se na tendência do coworking para desbloquear o potencial de espaços subutilizados em edifícios, equilibrando os riscos normalmente associados à ocupação de períodos curtos
  • Recursos adaptáveis: diferentes usos para os edifícios em seu ciclo de vida, utilizando, inclusive o retrofit
  • Edifícios realocáveis: implantação de edifícios modulares em locais não utilizados para criar espaços de ocupação temporária
  • Valor residual: criação de contratos futuros negociáveis relacionados ao valor dos materiais utilizados até a demolição
  • Aquisição de desempenho: extensão do modelo de produto como serviço para o edifício que já é aplicado em sistemas individuais, como iluminação
Objetivos

De acordo com os idealizadores, o objetivo é contribuir para que haja a adoção de novos modelos de negócios nesse segmento. Ou seja, capitalizando uma mudança de paradigma, ao oferecer edifícios mais flexíveis, adaptáveis ​​e desconstrutíveis, cuja proposta é a aquisição de serviços ao invés de produtos. Dessa maneira, os investidores passam de uma aposta única para a posse de ativos mais produtivos e ágeis e que oferecem novos fluxos de receita e maior valor residual.

A divulgação desse relatório é importante porque o setor da construção vem buscando alternativas para melhorar sua pegada ambiental. O World Green Building Council estima que o segmento responda por 39% das emissões globais de carbono. Além disso, o setor imobiliário está passando por mudanças significativas.

Contudo, uma mudança sistêmica em direção à adoção de uma economia circular para o setor imobiliário pode representar uma oportunidade. Minimizar o desperdício, manter os produtos e materiais em uso por mais tempo e regenerar os sistemas naturais trará claramente benefícios ambientais. Por outro lado, existem desafios.

O relatório destaca ainda, para que os benefícios de uma transição para uma economia circular sejam realizados em escala, é essencial a colaboração entre tomadores de decisão, instituições governamentais e empresas nas cadeias de valor.