A economia circular pode ser uma solução viável para diminuir a produção de lixo eletrônico. Em 2017, superou a marca 44 milhões de toneladas produzidas globalmente. Esse montante equivale ao peso de todos os aviões comerciais já produzidos. Os dados são da Global E-waste Monitor.

Segundo um relatório da Plataforma para Aceleração da Economia Circular (PACE) e da Coalizão das Nações Unidas, se o consumo continuar a seguir o caminho visto nos dias atuais, o nível de produção de lixo eletrônico deverá alcançar 120 milhões de toneladas ao ano em 2050.

Com isso, os prejuízos para o meio ambiente e para a saúde das pessoas podem ser ainda maiores.Isso se deve ao fato de que alguns dos resíduos encontrados no e-lixo possuem substâncias perigosas e cancerígenas, como o mercúrio, chumbo e cádmio. Além disso, alguns dos químicos fazem parte da lista de poluentes orgânicos persistentes, que têm a capacidade de se bioacumular em organismos vivos.

No caso do meio ambiente, os impactos negativos decorrem do descarte pouco adequado. De acordo com o relatório, menos de 20% do lixo eletrônico é formalmente reciclado, com os 80% restantes vão para aterros ou são informalmente reciclados. A presença do e-lixo em lixões pode contaminar o solo e os lençóis freáticos, resultando em sérios riscos para os recursos hídricos e para a plantação e distribuição de alimentos. Enfim, comprometendo o equilíbrio ecológico.

Da mesma forma, há a preocupação do mercado com esgotamento dos recursos naturais utilizados para a fabricação desses eletrônicos. Assim sendo, a gestão adequada do e-lixo pode resultar em recuperação desses materiais, como cobre, prata, ouro, platina, cobalto, entre outros. Além da questão econômica, a retomada de matéria-prima a partir de eletrônicos produz 80% menos emissões de dióxido de carbono por unidade de ouro se comparado com a mineração tradicional do solo.

Brasil

No caso do Brasil, a estimativa é de que sejam produzidos, por ano, entre 7 a 10 kg de lixo eletrônico por habitante. Por isso, o país é considerado o 7º maior produtor de lixo eletrônico do mundo.  O primeiro lugar fica para a China, seguida de Estados Unidos, Japão, Índia, Alemanha e Reino Unido.

Porém, existem ações para diminuir a produção de lixo eletrônico, incluindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Seu conjunto de instrumentos tem o intuito de propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos.

Outras iniciativas que podem ser citadas são: a GREEN Eletron, uma gestora de logística reversa de equipamentos eletroeletrônicos criada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Já a Ecobraz, projeto socioambiental de reciclagem de e-lixo, faz coleta na Grande São Paulo, Campinas, Sorocaba e Vale do Paraíba. Por fim, a Coopermiti promove educação ambiental e a cultura por meio da reciclagem do resíduo eletroeletrônico.

Desse modo, é vital enfatizar a necessidade de uma economia circular na qual recursos não sejam extraídos, usados e descartados, mas avaliados e reutilizados de maneira que minimize impactos ambientais.

Foto: PEXELS (CC)/Fancycrave