O descarte incorreto de entulhos e grandes objetos traz sérios problemas ao meio ambiente e qualidade de vida das pessoas. Uma maneira encontrada pelas prefeituras para diminuir essa prática foi a criação de locais específicos para a entrega desse tipo de material. Assim, os Ecopontos combatem o descarte irregular de resíduos, com a finalidade de erradicar essa situação, que resulta em enchentes, poluição e mais despesas com limpeza pública.

Isso significa que o Ecoponto, nada mais é do que um local de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho (até 1 m³), resíduos volumosos (móveis, sofás, armários, entre outros), poda de árvore e resíduos recicláveis. De acordo com  Levi Torres, coordenador da Abrecon – Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, algumas cidades se destacam nesse tipo de atividade. São elas:

  • São José do Rio Preto possui 1 ecoponto por 20 mil habitantes;
  • Fortaleza conta 1 por 38 mil habitantes
  • São José dos Campos tem 1 por 39 mil habitantes e
  • Campinas dispõe de 1 por 65 mil habitantes

A cidade de São Paulo conta, atualmente, com mais de 100 ecopontos em seu território. Contudo, Torres ponderou que pela quantidade de cidadãos que moram na capital, esse número é insuficiente. Ou seja, o município precisaria dobrar o volume de  ecopontos, já que na situação atual, ela tem 1 ecoponto para 120 mil habitantes.

Conforme a avaliação de especialistas na área de gestão de resíduos, os ecopontos precisariam ser instalados em áreas de, pelo menos, mil m². Isso porque esses locais necessitam de grandes áreas para atender a demanda local. Segundo Torres, apesar de geralmente os ecopontos receberem resíduos da construção e demolição de até 1 m³, existem cidades, como Fortaleza, capital cearense, que aceita até 2 m³ de resíduos por cidadão.

Plano de Gestão de Resíduos

Para o coordenador da Abrecon, os Ecopontos não apenas combatem o descarte irregular de resíduos, mas fazem  parte do plano municipal de gestão de resíduos sólidos. Esse planejamento inclui os destinatários de resíduos sólidos – usinas, Áreas de Transbordo e Triagem (ATT) e aterros inertes – e o Controle de Transporte de Resíduo (CTR) eletrônico.

Ele alertou ainda que o ecoponto aceita apenas resíduos do pequeno gerador. Isto é, não aceita caçamba estacionária e entulho de grande gerador, por exemplo, uma construtora. Além disso, alguns resíduos são proibidos, como o amianto e o gesso, pela periculosidade e pela dificuldade de destinação desses resíduos, respectivamente.

A prática da instalação de ecopontos veio combater ainda uma prática comum no mercado que é inserção de caçambas em pontos viciados de descarte irregular de entulho. “Isso pode resolver por um ou dois meses, mas não deve ser constante, porque os pontos viciados elevam a depredação local e comprometem a estratégia global de gestão de resíduos municipais”, explicou Torres.

Todavia, ele comentou que, atualmente, não existe uma norma técnica para a construção de Ecopontos. Por outro lado, a Abrecon criou a diretiva número 6, que traz informações interessantes para administradores desse tipo de estrutura. Por fim, Torres acrescentou que, em algumas cidades, a nomenclatura Ecoponto é substituída por PEV (Ponto de Entrega Voluntário), Ecopostos ou Ecopevs. Entretanto, o objetivo permanece o mesmo.

Referência: Canal da Abrecon no Youtube – Como funciona um ecoponto? 

Foto: Prefeitura de São Paulo