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O futuro das empresas depende dos investimentos realizados em sustentabilidade. Isso porque a agenda ambiental será permanente. Países do hemisfério norte têm estabelecido iniciativas rigorosas para cumprir as metas definidas no Acordo de Paris. Além disso, na Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP-25), mais de 600 investidores internacionais, administradores de cerca de US$ 37 trilhões de ativos, assinaram um compromisso com o Acordo.

“Os investidores estão preocupados como o futuro”, disse Ricardo de Araujo Pereira, Diretor de Desenvolvimento Técnico do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), durante o Webinar BW TALKS: Iniciativas Inspiradoras em Sustentabilidade.

Segundo Pereira, existe um trinômio – rentabilidade, risco e impacto -, que norteia a escolha dos projetos a serem investidos. “O terceiro elemento é muito importante para os investimentos, porque eles querem saber quais os impactos que serão causados pelos projetos com os recursos aportados. E, esse fator continuará a ser relevante no pós-pandemia. Por isso, o Brasil precisa ter a sustentabilidade como pilar fundamental”, acrescentou. Ele reforçou ainda a importância de o país trabalhar a questão em uma visão de política de estado e não de governo.

As empresas que se dedicam ou investem fortemente em sustentabilidade possuem um valor de mercado superior às companhias que não o fazem. “Esse movimento fortalece a marca, que alcança um maior reconhecimento, trazendo mais valor para ela mesma”, complementou Pereira.

Pereira ainda comentou sobre o prejuízo da imagem do Brasil devido aos crimes ambientais na Amazônia e que o mercado tem buscado conversar com o Governo Federal para mudar essa situação. Outra questão trazida por ele foi o mercado de carbono que, em sua opinião, vai crescer, podendo se tornar uma commodity importante em termos globais pela necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Iniciativas inspiradoras

Em termos de exemplos de companhias que acredita que o futuro das empresas depende de sustentabilidade ambiental estão a Toyota e Eternit.

A montadora japonesa tem implantado muitas ações ou projetos para reduzir o impacto ambiental de suas atividades, a começar pelo lançamento de veículos inovadores. Dois exemplos são o Mirai (movido a célula de combustível a hidrogênio) e o Corolla Altis Hybrid (primeiro híbrido flex do mundo). Além disso, a empresa instalou em seu processo produtivo outras iniciativas para reduzir o consumo de água, para receber apenas energia renovável certificada, entre outros.

Na fábrica em Sorocaba, por exemplo, criou uma floresta natural a partir do plantio de mudas de diferentes espécies. Para isso, usou o conceito “Morizukuri” (como fazer uma floresta, em tradução livre), que possibilita que as árvores cresçam mais rapidamente.

Edson Orikassa, Diretor Área de Certificação e Regulação Veicular e Assuntos Governamentais da Toyota do Brasil, contou ao público do evento online da BW Expo, Summit e Digital, promovido no dia 5 de agosto, que é um desafio ser pioneiro no lançamento de tecnologias inovadoras em um mercado tão competitivo, como é o setor automotivo.

Desafio de ser líder

“Há um custo para você liderar e puxar a tecnologia, porque por um período a empresa precisa sustentar esse desenvolvimento até que seja possível pagar os investimentos, com a escalabilidade do automóvel”, explicou Orikassa, que citou que os veículos híbridos já dão retorno à companhia, diferentemente dos veículos a célula de combustível, que está no processo de obter uma maior escala.

Especificamente sobre os veículos a célula de combustível, Orikassa falou que o interesse da Toyota não é deter a tecnologia de forma exclusiva. Por isso, ela abriu todas as suas patentes. “Quanto mais empresas usarem a tecnologia, melhor será para o mercado, pois haverá um barateamento dos componentes, o que possibilitará produzir carros mais baratos”, destacou. Ademais, há um trabalho muito forte da montadora para reduzir custos internos, melhorar de processos e o uso de materiais. “Mesmo sendo um desafio, é muito melhor do ficar parado. Não há outro meio de sobreviver no mercado sem investir em tecnologia e inovação”.

Sobre o custo superior ao carro com motor à combustão, Orikassa revelou que a Toyota fez um estudo com seus consumidores e descobriu que ele estava disposto a pagar um percentual superior para um carro mais sustentável ambientalmente e com tecnologia inovadora.

Esse foi o caso do Toyota híbrido flex que, mesmo tendo um preço maior, conquistou o mercado e hoje, tem uma demanda maior do que o projetado pela montadora. “Uma de suas vantagens é o baixo custo do pós-vendas, que aumenta a lucratividade para a montadora e diminui os gastos para o cliente”, citou. Contudo, para aumentar o share nesse mercado, é preciso vencer o desafio do suprimento de baterias, que é bastante concorrido mundialmente devido ao mercado asiático.

Telhas que geram energia

Já a Eternit apresentou sua iniciativa inspiradora para o setor da construção: as telhas com módulos fotovoltaicos que possibilitam gerar energia nas residências. Para isso, Luiz Antonio Lopes, Gerente do Projeto de Telhas Fotovoltaicas da Eternit, explicou que foi usado até mesmo o urucum para a produção dessa telha, a fim de equilibrar a temperatura do produto. “O fotovoltaico gosta de luz, mas não gosta de altas temperaturas”, disse.

A Eternit pretende lançar comercialmente no próximo ano o novo produto, que possui tecnologia nacional e foi adequado à realidade brasileira. Atualmente, ele está em fase de aprimoramento, com a assistência e parceria de centros de pesquisa e universidades. Isso porque a empresa quer realmente compreender todos os benefícios e os desafios da tecnologia.

De acordo com estudos da Eternit, não será necessário que todo o telhado utilize as tecnologias com células fotovoltaicas. O percentual pode variar (20% a 50%) conforme o consumo de energia da residência. Em primeiro lugar, a empresa está trabalhando com as telhas do tipo concreto, usadas, principalmente, em residências de alto padrão ou em condomínios. “Estamos abrindo um mercado nesta área, primeiramente, por causa da técnica. Para depois, então, partir para a telha de fibrocimento”, ponderou Lopes.

Nesse sentido, o moderador Vagner Barbosa, integrante do comitê organizador da BW, questionou Lopes sobre o consumo desse produto por classes econômicas mais baixas no Brasil. Ele respondeu que esse público poderá ser atingindo não realizando o investimento em si, mas pelo financiamento de suas casas.

O Webinar mostrou que futuro das empresas depende de sustentabilidade ambiental e foi aberto por Afonso Mamede, presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração).

Para assistir a íntegra do webinar, basta acessar o Canal da Sobratema no YouTube