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A destinação inadequada de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) pode acarretar em prejuízos ambientais, mas também pode afetar a saúde das pessoas. “A gestão correta dos resíduos é fator determinante para a saúde pública e a redução dos custos com a remoção dos resíduos descartados incorretamente”, afirma Levi Torres, coordenador da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon).

Entre os principais tipos de resíduos provenientes do processo construtivo, escavação de terreno, reformas e reparos e demolição estão: tijolos, blocos cerâmicos, argamassa, concretos em geral, madeira, metais, aço, resinas, telhas, forros, cal, azulejos, tintas e rochas.

De acordo com a Abrecon, a maioria (98%) desse resíduo poderia ser reciclada. “Atualmente, são aproximadamente 350 recicladoras com uma capacidade média de 5.000 m³ por mês, o que representa uma capacidade instalada de 25% do que é gerado”, explica Hewerton Bartoli, presidente da entidade. Entretanto, grande parte dessas plantas trabalha com menos de 50% da sua capacidade. Ou seja, em torno de 10% do que é gerado, é reciclado.

Torres lembra que a reciclagem de entulho economiza recursos públicos ao reduzir, por exemplo, os focos do mosquito transmissor da dengue e de outras doenças. Além disso, ela poupa a extração de areia dos rios e pedra das pedreiras, diminuindo o impacto ambiental dessas atividades. “É importante lembrar que, pelo menos 30% da areia natural no Brasil são clandestinos. Isto é, areia extraída de locais sem licença ambiental e aliada a crimes ambientais”, alerta.

Para compreender melhor o cenário, Bartoli explica que o principal gargalo do setor está na triagem, que é o processo de separação dos resíduos. “Grande parte das empresas fazem a segregação de maneira manual com pouca produtividade e eficiência”, explica. Percebe-se a crescente adoção de picking station e novos equipamentos capazes de otimizar esse processo”.

Desafios

A britagem em si é o processo mais simples. “Em obras de demolição e infraestrutura, a britagem móvel ganha destaque por conseguir o resíduo no próprio local de geração, evitando custos com transporte e destinação, além de reduzir o consumo de agregados virgens”, relata.

Outro desafio enfrentado pelo setor é a falta de valorização da cadeia do resíduo. “A reciclagem de resíduos sólidos urbanos ainda não atingiu números aceitáveis. Infelizmente, há a omissão de órgãos públicos e da própria população”, lamenta Torres, que ressalta a falta de regulamentação da atividade da reciclagem de resíduos da construção. “É necessário fiscalizar, organizar e controlar o gerador dos resíduos”.

Conforme avalia Bartoli, apesar dos desafios a serem enfrentados e do mercado estar em uma fase inicial, houve uma evolução considerável nos últimos anos. “Conseguimos conquistas importantes, como a inserção do agregado reciclado em tabelas nacionais e regionais. Também houve a criação do MARE (Manual de Aplicação do Agregado Reciclado), com mais de 50 tipos de aplicações”, diz. “Isso tem contribuído bastante para fomentar mais vendas por parte dos empreendedores, além de conscientizar os gestores públicos.”

Por fim, o curador do Núcleo Reciclagem de Resíduos na Construção da BW 2020 reforça que a Política Nacional de Resíduos Sólidos fala em responsabilidade compartilhada. “Isso quer dizer que todos têm sua parcela de contribuição. Ou seja, o pequeno ou grande gerador deve fazer a separação do resíduo e garantir a destinação final adequada”, observa. “Transportadores devem estar devidamente regularizados e zelarem pelo envio a destinatários devidamente licenciados, os quais devem dar o tratamento ambiental para cada resíduo.”

A matéria A valorização da cadeia do resíduo foi publicada originalmente na Revista M&T.

Foto: Revista M&T