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Quem já visitou a cidade de São Paulo provavelmente já se deparou com o mau cheiro exalado pelo rio Pinheiros. Apesar de terem sido realizadas diversas tentativas de saneamento, ele continua poluído. Infelizmente, essa realidade não é vista apenas neste rio, mas em outros pelo Brasil. Contudo, ainda há esperanças para o rio Pinheiros e esse quadro pode ser revertido. Certamente, a vida pode voltar a prosperar nos corpos d’água que correm pelo país.

Especificamente sobre o Rio Pinheiro, o Governo de São Paulo lançou um programa para realizar sua despoluição até o ano de 2022. A meta é reduzir o esgoto lançado em seus afluentes, melhorar a qualidade de suas águas e integrá-lo à cidade. Por ser um rio urbano, a água não será potável, nem terá possibilidade de natação. No entanto, espera-se a melhora do odor e o abrigo de vida aquática. Em 2019, já foram retiradas 9,3 mil toneladas de resíduos, como por exemplo, garrafas pet, bicicletas, pneus, plásticos, entre outros.

De fato, esse programa terá um grande desafio. Por isso, antes de mais nada, é importante conhecer a história do rio e como esse cenário se formou. Assim, o vídeo produzido, em 2015, pela Associação Águas Claras do Rio faz uma análise do histórico de ocupação do rio.

A situação atual

Atualmente, 20 mil imóveis e cerca de 700 mil habitantes de comunidades próximas realizam o despejo de esgoto no rio Pinheiros. Para resolver o problema da chegada de carga poluente ao rio, serão instaladas “Estações de Tratamento de Esgoto de Áreas Informais (ETEAIs). O objetivo é reduzir a DBO média do rio, que hoje fica por volta de 60-75 mg/L, para até 30 mg/L. A tecnologia a ser implementada ainda não foi definida. Contudo, devido ao espaço reduzido que será disponibilizado para as ETEAIs, as tecnologias de MBBR e MBR são alternativas bastante interessantes, uma vez que demandam um espaço menor do que o necessário para Lodos Ativados convencional, por exemplo.

De acordo com informações do Governo de São Paulo, de um total de 14 licitações para execução de obras de esgotamento sanitário nas sub-bacias do Pinheiros, os quatro primeiros contratos assinados pela Sabesp em dezembro vão ampliar a coleta e enviar para tratamento o esgoto de 47 mil imóveis nas sub-bacias dos córregos Corujas/Rebouças, Ponte Baixa/Socorro, Aterrado/Zavuvus e Pedreira/Olaria.

Esses trabalhos aumentarão em 21% o volume de esgoto tratado na região, passando dos atuais 960 litros por segundo para 1.157 litros por segundo. Além disso, haverá a redução da carga orgânica que chega aos cursos d’água e alcança o rio Pinheiros.

O Programa Novo Rio Pinheiros contempla ainda ações de saneamento, desassoreamento, coleta e destinação dos resíduos sólidos, revitalização das margens e educação ambiental.

Exemplo do rio Tâmisa

Uma referência para a criação desse programa foi no rio Tâmisa, na Inglaterra. Este é um grande rio que atravessa diversas cidades inglesas, incluindo Londres, pouco antes de atingir a foz no Mar do Norte.

No início do século 19, o Tâmisa ainda era considerado limpo. No entanto, com o tempo, devido ao desenvolvimento da cidade, grande aumento populacional e descargas ilegais de esgoto, a qualidade das águas entrou em queda vertiginosa. Desse modo, houve períodos em que o odor era tão forte que sessões do parlamento inglês, que se localiza ao lado do rio, tiveram que ser interrompidas.

Palácio de Westminster, sede do parlamento do Reino Unido, às margens do rio Tâmisa. Foto: Google Earth

Com isso, um grande trabalho de recuperação do rio foi feito pelos ingleses. Hoje, há peixes povoando as águas do Tâmisa. Atualmente, sua saúde é acompanhada de perto. São oito sensores em tempo integral, concedendo informações a cada 15 minutos, sobre: OD, Temperatura, Fósforo e Amônia.

A partir desse monitoramento, são enviados alertas para a companhia de águas, que pode tomar decisões para melhorar a qualidade das águas, como por exemplo:

  • Oxigenar o rio com uso de barcos (Os “Thames Bubblers”);
  • Despejar peróxido de hidrogênio e
  • Cessar a coleta de água à montante

Além disso, há algumas iniciativas muito interessantes voltadas a preservação do rio e de seus afluentes. O programa “Making Space for Water” (Em português, “Criando espaço para as águas”), por exemplo, busca espaço para os corpos d’água para que eles não sejam canalizados e, por conseqüência, fiquem menos suscetíveis às enchentes.

Desafio

Isso mostra que ainda há esperanças para o rio Pinheiros. Todavia, é crucial que ele pare de receber lixo e esgoto, o que certamente será um desafio. Conforme informações do o instituto Trata Brasil, apenas 89,65% do esgoto do estado de São Paulo é coletado, sendo que somente 64,56% é tratado. Mais especificamente para a capital, há coleta de 87% e tratamento de 70%.

Se considerado todo o território nacional, a situação ainda é mais preocupante. Atualmente, quase 100 milhões de brasileiros que não tem acesso ao serviço de coleta de esgoto. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) 2018 revelam que a média em tratamento dos esgotos no Brasil foi de apenas 46,25%.

Estas estatísticas são extremamente alarmantes e atitudes devem ser tomadas o quanto antes para diminuir os impactos em nossos rios.

Por Ana Luiza Fávaro

Referências: Wang, X. D. Liu, J. Lua. Urban River Pollution Control and Remediation. Procedia Environmental Sciences. 13, 1856 – 1862, 2012.

Foto capa: Governo do Estado de São Paulo