Para entender a importância do monitoramento do pH em Estações de Tratamento de Efluentes, primeiramente, é preciso saber o que significa essa palavra. Basicamente, pH refere-se ao potencial hidrogeniônico e representa a acidez, alcalinidade ou neutralidade na amostra, no caso, do seu efluente. Esse valor pode variar de 0 a 14, sendo que de 0 a 7 dizemos que o meio está ácido, em 7 o meio está neutro e acima de 7 ele está básico ou alcalino.

INFLUÊNCIA DO PH NO EFLUENTE

O pH pode interferir direta ou indiretamente nos efluentes em geral. Influi em variados equilíbrios químicos naturais ou em processos unitários de tratamento, tornando-se um parâmetro importante em muitos estudos no campo do saneamento ambiental.

Diretamente, influencia nos ecossistemas aquáticos naturais, por conta dos seus efeitos sobre a fisiologia de diversas espécies. De maneira indireta, o pH influencia na precipitação de elementos químicos tóxicos, como metais pesados, ou em outras condições que possam exercer efeitos sobre a solubilidade de nutrientes.

Para os tratamentos biológicos aeróbicos, a influência deste parâmetro é decisiva. Pois, além dos microrganismos se desenvolverem em uma faixa de pH ideal, a oxidação da amônia a nitrato, conhecida por nitrificação, é um efeito desejável e leva a um consumo alcalino do meio e a consequente queda de pH, exigindo, em certas circunstâncias, a alcalinização artificial.

Os tratamentos físico-químicos também dependem do pH. Para a precipitação de alguns metais tóxicos, oxidação de cianeto e de outros contaminantes, quebra de emulsões oleosas e arraste da amônia gasosa acontecem devida a elevação do pH. Já para a redução do cromo-hexavalente e oxidação de fenóis são necessários a acidificação, ou seja, baixar o pH.

Vale ressaltar que existe uma restrição de valores de pH para lançamento dos efluentes. Estes valores são encontrados na legislação estadual pertinente e também na nacional, como a CONAMA 430, que exige o enquadramento dos efluentes lançados entre 5 a 9.

IMPORTÂNCIA DA VERIFICAÇÃO E CONTROLE DO PH NAS ETES

Dito tudo isso, para que seu tratamento seja efetivo, sendo ele biológico aeróbico, anaeróbio e físico-químico é muito importante verificar e controlar o pH nas estações de tratamento.

Não só a atividade microbiológica dos organismos depende de um pH controlado próximo a neutralidade. Outros processos também, como por exemplo, a cloração. Quando a cloração é realizada, o objetivo é a desinfecção do efluente, água de reuso ou água de abastecimento. Mas, essa desinfecção é mais efetiva em valores mais ácidos, pois a dissociação do ácido hipocloroso formando íons hipoclorito é menor, auxiliando na eficiência do poder oxidativo e desinfetante do cloro.

Vale lembrar também, que valores descontrolados de pH, podem trazer danos as estruturas físicas, como as tubulações e tanques metálicos. Uma vez que, valores mais ácidos podem promover a oxidação e prejudicar os materiais.

Por Ana Luiza Fávaro