Em todo o mundo, bilhões de fármacos são ingeridos diariamente por pessoas. Como resultado, os compostos acabem eventualmente em plantas de tratamento de esgoto, junto com os dejetos humanos, o que dificulta sua remoção. Uma pesquisa conduzida pelo professor Virender K. Sharma, do Texas A&M School of Public Health, desenvolveu uma nova tecnologia que combate a poluição por fármacos.

Financiada pelo National Science Foundation e publicada na revista Environmental Science and Technology, a pesquisa trouxe os resultados de mais de 26 anos de Sharma sobre a efetividade do ferrato. Recentemente, recebeu uma patente americana por sua tecnologia de ferrato líquido, que logo será comercializada.

De acordo com Sharma, apesar de existirem técnicas para remover urina da água, sua efetividade na remoção de fármacos continua muito limitada. “Quando uma pessoa ingere remédios, mais de 70% é excretado sem ser usado pelo corpo. Estes fármacos deixam o corpo através da urina e acabam chegando em plantas de tratamento de esgoto. A tecnologia para remover estes compostos da urina é complicada, devido aos desafios de se remover compostos em pequenas quantidades, disse.

O pesquisador também comentou sobre a dificuldade de remoção de toxinas presentes em baixas concentrações, quando comparado a toxinas concentradas. Além dos fármacos, nossa urina também pode conter cloretos, amônio e bicarbonato – compostos que podem atrapalhar o processo de tratamento da urina.

Resultados positivos

“A maioria das técnicas, como os processos oxidativos avançados (POAs), não é efetiva quando estes minerais estão presentes. No entanto, o ferrato não é influenciado por eles,” afirma Sharma. “Além disso, o ferrato é seletivo. Ou seja, pode atacar os fármacos na urina sem degradar a ureia e outros componentes orgânicos que são úteis na produção de fertilizantes”.

O projeto demonstrou não só que a nova tecnologia combate a poluição por fármacos, contribuindo para a descontaminação de água, como também que o composto pode melhorar o processo de remoção de medicamentos em urina. “O ferrato não só influenciou a remoção de bicarbonato, mas também promoveu a remoção de fármacos na urina. Isso é algo que nunca havíamos visto antes,” avalia o pesquisador. “Esta é a razão de nossa pesquisa e nossos resultados serem tão importantes”, acrescenta.

Por fim, ele completou: “a poluição da água continua sendo um problema crescente ao redor do mundo, então eu estou animado para continuar envolvido em projetos que tragam formas mais eficientes de combatê-lo”. Apesar de mais pesquisas serem necessárias para analisar completamente o efeito do ferrato na urina, a pesquisa tem o potencial de prover uma alternativa para as plantas de tratamento.

Por Ana Luiza Fávaro

Referências: Tradução livre de Removing Drugs from Wastewater

Foto: Vital Record