Apesar de algumas divergências no campo das ideias, acreditamos que 2019 foi um ano produtivo e de crescimento para o agro brasileiro. Para a Abag, “diálogo” foi a palavra que norteou as iniciativas e as ações durante o ano que passou. Graças à busca por convergência, consenso entre as partes e equilíbrio nas decisões, julgamos que as atividades desenvolvidas, fomentadas ou apoiadas pela entidade possam ser consideradas positivas. Temos a firme convicção de que aprendemos uma nova forma de olhar os acontecimentos no Brasil e no mundo nos vários aspectos relacionados com o agronegócio.

Em prol de um país melhor, representantes do setor privado e as diferentes instâncias governamentais tiveram como princípio básico a busca pelo diálogo e pelo entendimento. Em temas áridos e polêmicos, como é o caso do desmatamento na Amazônia, que monopolizou o debate, reforçamos a posição de que não há nenhuma relação entre o desmatamento e o agronegócio produtivo, uma vez que 90% do desmatamento na região é feito de forma ilegal por meio da ação de grileiros e invasores de terra, sem nenhuma relação com o produtor rural. Nesse sentido, os esforços e o empenho do setor são pela tolerância zero com a prática do desmatamento ilegal.

Especialmente na questão ambiental, tivemos uma participação destacada em todos os eventos e as instâncias de debate importantes, nacionais e internacionais, nos quais estivemos envolvidos, seja como apoiadores, realizadores ou convidados. Foi assim, por exemplo: na Semana do Clima, em Nova York; no Fórum Mundial de Bioeconomia, na Finlândia; em um evento promovido pela Universidade de Princeton, nos EUA; na vista da missão brasileira à Organização Mundial do Comércio (OMC), na Suíça; e, por último, na COP-25, em Madrid, na Espanha. Nessas ocasiões, demos uma significativa contribuição para que a imagem do agro brasileiro no exterior fosse mais bem compreendida e, desta maneira, acreditamos mostrar ao mundo que temos compromissos sérios, efetivos e e longo prazo com a sustentabilidade ao fazer os esclarecimentos sobre a contribuição que o País tem dado para conter as emissões.

Mostramos, por exemplo, com base dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que o total de florestas preservadas pelos agricultores e pelos pecuaristas em suas propriedades equivale, hoje, a 25,5% de todo o território brasileiro. Além disso, demonstramos que o País possui, atualmente, uma série de mecanismos voltados para processos produtivos que aliam produção a conservação ambiental. Exemplos disso são: a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que já atinge a marca de 14 milhões de hectares; o plantio direto na palha; a fixação biológica de nitrogênio no solo; a ampliação da área reflorestada; o tratamento e o reaproveitamento de dejetos animais; e a recuperação de pastagens degradas.

O nosso objetivo com todo esse esforço para consolidar a imagem de país preservacionista necessita ser harmonizado com as diversas negociações do comércio internacional. Esperamos que 2020 seja um ano de construção de novas pontes entre os países e entre o setor privado e o Governo. Que tenhamos sabedoria, e que “diálogo” continue sendo a palavra de ordem no agronegócio brasileiro. Um bom ano a todos!

Por Marcello Brito, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Fonte: Agroanalysis