A emissão de gases odorantes representa uma desafio no processo de tratamento de efluentes, principalmente, porque afeta a comunidade local e pode comprometer o desempenho socioambiental do empreendimento. Além disso, a natureza agressiva advinda de alguns desses gases liberados pela ação bacteriana pode resultar na aceleração da corrosão das estruturas das Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs). Desse modo, o odor e a corrosão exigem cuidados na gestão de uma ETE.

Normalmente, o sulfeto de hidrogênio é o primeiro suspeito quando se fala em odor na ETE. Por outro lado, há diversas outras fontes nos sistemas de tratamento, incluindo: mercaptanos, metilaminas, acetonas e amônia. Conhecer a fonte de odor dominante é essencial para resolver o problema.

O concreto é o material mais abundante nos sistemas de tratamento de esgoto e também o mais sujeito a corrosão. Para entender a corrosão em um sistema de coleta de esgoto, é necessário um entendimento simples da corrosão com influência microbiana (MIC). As bactérias causam corrosão através da sua respiração, produzindo subprodutos metabólicos e biofilme. Embora exista uma infinidade de populações microbianas complexas nos sistemas de esgoto, vários grupos responsáveis pela MIC são conhecidos.

Bactérias

As bactérias capazes de oxidar metais são motivo de grande preocupação, uma vez que são capazes de conduzir a corrosão do metal em um sistema tratamento de esgoto. No entanto, como a maior parte deles é construída com concreto, as bactérias produtoras de ácido e as bactérias que reciclam o enxofre são também motivo de grande preocupação. Um dos grupos bacterianos mais comuns envolvidos no metabolismo do enxofre é o thiobacteriales, que é capaz de produzir energia a partir da oxidação de enxofre inorgânico, e assim produzindo sulfetos, que podem causar mau odor.

Dentro deste grupo de bactérias, há também algumas espécies bacterianas que decompõem aminoácidos contendo enxofre, como a cisteína e a metionina. Além disso, outros organismos, como o Thiobacillus thiooxidans, oxidam enxofre em sulfato e ácido sulfúrico, que em contato com concreto é equivalente a uma faca quente em contato com manteiga.

Produtos químicos

O sulfeto dissolvido é um fator dominante na compreensão e no controle de odores e da corrosão do concreto nos sistemas de tratamento de esgoto. Embora algumas abordagens para o controle de sulfeto dissolvido estejam disponíveis, muitas são apenas paliativas. Uma alternativa para o problema é a abordagem da Kemira, que é baseada na eliminação dos sulfetos dissolvidos com o uso de sais ferrosos ou férricos. O subproduto é FeS (Sulfeto de ferro) insolúvel, que precipita da solução. Isso evita a eliminação de gases sulfeto no sistema. O fornecimento de uma fonte alternativa de alimento para bactérias também pode impedir a liberação de subprodutos de sulfeto, mas apenas enquanto estiver disponível. Normalmente, isso funciona a curto prazo, mas no final das contas, as bactérias sempre podem reverter para o metabolismo de sulfatos.

O odor e a corrosão exigem cuidados. E, a aplicação de produtos químicos é apenas parte da batalha. Por isso, conhecer e entender a fonte do odor é fundamental para a verdadeira mitigação, assim como conhecer e entender o risco de corrosão do concreto.

Por Ana Luiza Fávaro

Referências: Tradução livre de: Mariga, T. How to control odour and microbial induced corrosion in waste streams. Environmental, Science & Engineering Magazine, Fevereiro 2018.

Foto: Tratamento de Água