Com um índice de 94% na destinação final, Brasil conta com o maior programa do mundo para coleta e reciclagem no segmento

A sustentabilidade ambiental é um dos fatores estratégicos para os diversos segmentos da economia. Diversos programas vêm sendo criados para ampliar a conscientização da importância de se produzir com mais eficiência, respeitando o meio ambiente.

No agronegócio, esse fato já é uma realidade. Atualmente, o Brasil, além de ser líder global no mundo, com grandes safras e expressiva produtividade em diversas culturas, é referência mundial por manter o maior programa de logística reversa em relação à coleta, reciclagem e destinação final adequada das embalagens de defensivos agrícolas utilizados na produção.

O Sistema Campo Limpo, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) em 2001, já deu destinação final adequada para mais de 500 mil toneladas de embalagens, alcançando a expressiva marca de 94% das embalagens plásticas primárias vendidas no mercado.

Mas o sistema acumula outros números expressivos em relação a ecoeficiência: de 2002 a 2018, por exemplo, o volume de embalagens retiradas do campo poderia abastecer 4 milhões de casas durante um ano, enquanto a diminuição na geração de resíduos sólidos equivale ao volume gerado por uma cidade de 500 mil habitantes durante 12 anos. Além disso, 688 mil t de CO2 deixaram de ser emitidas, o equivalente a 1,6 milhões de barris de petróleo não utilizados, ou 4 milhões de árvores preservadas.

Formado por uma rede de 400 pontos de captação que cobrem as principais regiões agrícolas do país, o sistema envolve todos os elos da cadeia produtiva do agronegócio num esquema de responsabilidade compartilhada. Ao agricultor cabe lavar, armazenar e devolver as embalagens após seu uso final.

Os canais de distribuição de defensivos e cooperativas precisam especificar o local de devolução na nota fiscal de venda e receber as embalagens vazias. Já os fabricantes de defensivos são responsáveis por recolher as embalagens nos pontos de coleta e dar a destinação final. Ao poder público, cabe fiscalizar todo o processo.

Nos centros de coleta, as embalagens são separadas e classificadas de acordo com o tipo de plástico. Em seguida, são separadas em fardos e direcionadas às empresas recicladoras parceiras do inpEV, que se incumbem de processá-las e transformá-las novamente em resinas, que estarão prontas para reinserção no ciclo. “Esse é um claro exemplo de economia circular, na qual a matéria-prima é redirecionada, após coleta e reciclagem, ao início do processo”, comenta Renata Nishio, gerente de desenvolvimento tecnológico do inpEV.

Atualmente, o resultado da coleta e processamento de matéria-prima envolve a produção de cerca de 30 produtos feitos a partir da reciclagem das embalagens vazias. São desde tubulações para esgoto, dutos corrugados para sistemas elétricos e artefatos empregados pela indústria automotiva até dispositivos para o sistema elétricos, como cruzetas de postes de iluminação, dormentes ferroviários e outros artefatos.

Segundo Renata, o Brasil é o único país do mundo onde o produtor rural, ao comprar um defensivo agrícola, pode conferir na sua nota fiscal o local para onde deve direcionar a embalagem após ter utilizado o produto. Ela vai mais longe, ao afirmar que a cultura da logística reversa está tão impregnada na mentalidade dos fabricantes de defensivos que muitos deles, ao desenhar uma nova embalagem ou desenvolver um novo produto, já levam em conta as etapas posteriores envolvidas no descarte adequado do material. “Nesse sentido, são levadas em consideração quesitos como cores ou materiais que podem dificultar a etapa final de descarte e reciclagem das embalagens”, comenta.

EDUCAÇÃO

O sistema possui ainda um programa de educação ambiental que, em 2018, envolveu 2.462 escolas em todo o país, alcançando um total de 231 mil alunos. No programa são abordados temas relacionados ao meio ambiente, complementados com conteúdos curriculares. Além dessa iniciativa, desde 2008 foi instituído o Dia Nacional do Campo Limpo, uma forma de chamar a atenção para a importância da conservação ambiental.

Promovido em diferentes pontos do país, o Dia Nacional do Campo Limpo já contou com a participação de mais de um milhão de pessoas.

Direta e indiretamente, o Sistema emprega cerca de 1.500 pessoas, considerando os profissionais que atuam no inpEV e nas unidades de recebimento, além dos coordenadores regionais de operação. Indiretamente, são considerados os trabalhadores das demais unidades de recebimento e da área de reciclagem e incineração das empresas parceiras, assim como os envolvidos nas diversas etapas do processo, como transporte especializado e operação logística.

Foto: InPEV