A Coreia do Sul vem trabalhando para se tornar uma sociedade lixo zero. Para alcançar esse objetivo, introduziu em 1986 a Lei de Gestão de Resíduos. Posteriormente, criou políticas para diminuir a geração de resíduos e elevar o percentual de reúso e reciclagem. E, um dos pilares fundamentais do programa está relacionado à redução do desperdício de alimentos, por meio do uso da tecnologia, legislação rigorosa e aumento da conscientização

Nesse sentido, em 2013, o país estabeleceu uma lei exigindo que o lixo relacionado aos alimentos seja descartado em sacolas biodegradáveis ​​e uma taxa por família é cobrada com base no peso do resíduo ao final do mês. Os sul-coreanos depositam esses sacos em coletores específicos, enquanto que as sacolas são adquiridas em supermercados ou lojas de conveniência.

Sistema inteligente

Para a pesagem dos resíduos, em algumas áreas, há o uso de tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID), principalmente, em edifícios novos. Nesse locais, cada residente recebe uma etiqueta de identificação eletrônica para usar ao descartar os alimentos. Assim que a lixeira é usada, é calculado o peso dos resíduos descartados. Em outras localidades, o procedimento é semelhante. A diferença fica por conta do uso de um cartão de identificação, que é escaneado antes do descarte do alimento no coletor.

Por mês, a média de valor pago por uma família de quatro pessoas na capital Seul, por exemplo, é de aproximadamente US$ 6. De acordo com informações do governo, essa taxa cobre cerca de 60% do custo de coleta e processamento do desperdício de alimentos da cidade, além da manutenção dos sistemas de RFID e reciclagem.

Lee Kang-soo, chefe do programa de reciclagem de alimentos do distrito de Songpa, no Sul de Seul, afirma que nos últimos seis anos, houve uma redução de cerca de 47 mil toneladas de desperdício de alimentos nesse bairro. Já em Seul, a diminuição da quantidade de resíduos de alimentos gerados é de, em média, 400 toneladas por dia.

Outro benefício é que a pesagem incentiva os moradores a remover os líquidos e (lixos) úmidos antes de depositar a sacola no coletor, com a finalidade de pagar menos taxa. Isso porque esses tipos de resíduos representam cerca de 80% do desperdício de alimentos.

Benefícios ambientais, sociais e econômicos

Com essa política, a taxa atual de reciclagem de resíduos advindos de alimentos é de 95%. Em 1995, esse percentual era de apenas 2%. Eles são transformados em compostos (30%), em ração animal (60%) ou são queimados para gerar biocombustível (10%). No caso dos compostos, por exemplo, atualmente, existem seis vezes mais jardins urbanos na Seul do que em 2012.

De fato, essa prática tem trazido benefícios econômicos para o país. A reciclagem economiza até US$ 600 mil dólares que, de outra forma, seriam usados ​​para processar os alimentos em aterros ou instalações de esgoto. Além disso, há ainda o benefício ao meio-ambiente. Sabe-se que o processamento desses resíduos em uma estação de esgoto contribui na liberação de gases de efeito estufa. Globalmente, o desperdício de alimentos representa quase a mesma quantidade de emissões que o transporte rodoviário.

Ademais, anteriormente, 3800 toneladas por dia do líquido restante do lixo dos alimentos era jogado nas águas da costa sul-coreana. Como resultado, a poluição prejudica a vida marinha, a pesca e as populações costeiras. Portanto, além de tornar ilegal o descarte de resíduos líquidos no mar, os residentes são incentivados a reduzir o lixo úmido em seus resíduos antes de depositar suas sacolas.

Referências:
Intelligent Living – South Korea Has Almost Zero Food Waste, Here’s How 
Hunter College New York City Food Policy Center – South Korea Recycles Food Waste in Effort to Become Zero-Waste Society
The New Yorker – How South Korea Is Composting Its Way to Sustainability