A geração de resíduos é, sem dúvida, uma das principais preocupações nos dias atuais. Em um ano, são mais de dois bilhões de toneladas de resíduos gerados, ou seja, cerca de 5,5 milhões de toneladas de resíduos diariamente. No entanto, esse resíduo pode ser uma importante fonte de energia renovável e de baixo carbono. O waste-to-energy (WTE) é um processo de recuperação energética, que envolve a geração de energia na forma de calor ou eletricidade a partir do tratamento primário de resíduos.

A maior parte dos processos WTE gera eletricidade por combustão ou produz combustíveis como metano, metanol, etanol ou outros combustíveis sintéticos. De acordo com a Global Market Insights, Inc., o segmento no mundo tem um crescimento anual de 6% e deve alcançar o valor de US$ 35,5 bilhões até 2024, liderado pela região Ásia-Pacífico, onde a adoção dessas novas tecnologias tem se expandindo rapidamente.

Papel da Ásia

Atualmente, a tecnologia WTE mais usada é a incineração, uma vez que evita o transporte dispendioso de resíduos para aterros sanitários. Mas, em toda a Ásia, os governos vêm adotando abordagens mais ecológicas e inovadoras.

Pioneiro na adoção de tecnologias WTE, o Japão continua liderando o caminho ao processar cerca de 70% de seus resíduos sólidos municipais em instalações WTE. Porém, a China vem investindo fortemente no setor, como resultado do crescimento populacional e econômico, além da transição para o uso de energias mais limpas.  Desse modo, há o entendimento de que o resíduo pode ser uma importante fonte de energia renovável e de baixo carbono.

Por isso, em 2020, a cidade de Shenzhen, no sul, está programada para começar a operar a maior planta WTE do mundo, com uma capacidade de incineração diária prevista de 5.000 toneladas de lixo da cidade. O calor residual do incinerador, uma vez capturado, é usado para acionar uma turbina, gerando eletricidade. De acordo com os arquitetos do projeto, o processo deve reduzir pela metade a quantidade de dióxido de carbono normalmente liberada nos aterros sanitários.

As instalações de Shenzhen são apenas o começo para a China, atualmente o quarto maior usuário de WTE, depois do Japão, Europa e Estados Unidos. A crescente conscientização da China sobre o impacto ambiental de seus resíduos está estimulando políticas que promovem soluções eficientes e econômicas. Até 2022, o governo planeja construir 300 plantas WTE dedicadas em todo o país – o dobro do número de instalações atuais.

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