Um novo relatório publicado pelo Conselho do Hidrogênio prevê que o custo da produção de hidrogênio renovável poderá cair pela metade até 2030, superando os combustíveis fósseis “inabaláveis”. Isso pode colocar a Austrália em uma posição privilegiada para se tornar um fornecedor líder global de combustível verde.

As previsões elaboradas pela consultoria McKinsey sugerem que investimentos modestos no desenvolvimento de tecnologias de hidrogênio podem levar o Hrenovável a preencher a lacuna de custo com o hidrogênio “marrom” ou “azul” – produzido com o uso de combustíveis fósseis. Além disso, poderá resultar na competitividade em termos de custo do hidrogênio ante fontes de energia convencionais, incluindo petróleo e gás.

Como resultado da queda de 50% nos custos até 2030, a McKinsey espera que o hidrogênio renovável seja competitivo em mais de 20 aplicações. Entre as quais estão: veículos comerciais, transporte de longo alcance, aquecimento industrial, aquecimento residencial e refrigeração servida a gás e como fonte de “equilíbrio” em sistemas de eletricidade.

Um dos principais fatores para essa queda se deve as contínuas diminuições no custo das tecnologias de energia solar e eólica. Ademais, haverá uma economia adicional de custos ​​ao aumentar rapidamente o número e o tamanho dos eletrolisadores usados ​​para produzir hidrogênio com eletricidade verde.

Divisor de águas

A previsão seria um divisor de águas para o mercado global de energia. A consultoria estima que até 15% do consumo de energia do mundo poderia ser atendido pelo hidrogênio renovável de menor custo até 2030. “Com base em dados de custos reais do setor, a análise mostra que várias soluções de hidrogênio podem se tornar competitivas até 2030”, disse Bernd Heid, sócio sênior da McKinsey.

De acordo com Heid, dos 35 casos de uso analisados, o hidrogênio em escala pode ser a solução de baixo carbono e baixo custo em 22 casos, como, por exemplo, na indústria siderúrgica e no aquecimento de edifícios existentes. “Ele pode superar soluções baseadas em fósseis em escala em 9 casos de uso, incluindo em transporte e trens pesados​​”, disse.

O menor custo depende dos investimentos necessários para ampliar o sistema de suprimento de hidrogênio. São cerca de US$ 70 bilhões em recursos para equipamentos de produção, infraestrutura de distribuição e dispositivos e tecnologias de uso final.

A McKinsey descobriu que o custo da produção de hidrogênio já era “surpreendentemente” competitivo. Contudo, um investimento adicional de US$ 20 bilhões permitiria que o hidrogênio renovável emergisse como uma fonte competitiva em termos de custo de combustível com zero emissões. Isso exigiria a implantação de 70 GW adicionais de capacidade de eletrolisadores para produzir zero emissões de hidrogênio a partir de eletricidade renovável.

Divisão dos investimentos

O relatório conclui que a maior necessidade de investimento está nas tecnologias e infraestrutura de uso final. Assim, pouco menos da metade dos novos investimentos (US$ 30 bilhões) iria para implantação da infraestrutura de reabastecimento e distribuição para o transporte a hidrogênio.

Além disso, US$ 17 bilhões adicionais seriam precisos para preencher a lacuna de custo e de tecnologia entre hidrogênio e gás natural. Com o propósito de possibilitar que o hidrogênio renovável substitua o combustível fóssil para uso em residências e empresas.

Crédito: Hydrogen Council

Embora a quantidade de recursos pareça considerável, a McKinsey destacou que US$ 70 bilhões é pequeno em relação aos gastos globais em energia. Ou seja, representaria menos de 5% do gasto anual no segmento.

Austrália

A consultoria destaca que a Austrália está entre os países mais bem colocados para aproveitar as oportunidades criadas pelos avanços nas tecnologias de hidrogênio renovável. A justificativa é que a nação conta com acesso imediato a abundantes recursos solares e eólicos, que apoiariam a produção de hidrogênio renovável de baixo custo e alto rendimento.

“Regiões como Chile, Austrália e Arábia Saudita têm acesso a fontes renováveis ​​de energia eólica e solar com baixo Levelized Cost of Energy (LCOE). Desse modo, permite altos fatores de carga para a produção de hidrogênio por eletrólise. Assim, eles oferecem um potencial ideal para a produção de hidrogênio renovável a custos mínimos”, afirma o relatório.

“2020 marca o início de uma nova era para a energia. À medida que se torna realidade o potencial do hidrogênio como parte de nosso sistema global de energia, podemos esperar menos emissões e maior segurança e flexibilidade. Isso anuncia a década do hidrogênio”, disse o CEO da Air Liquide e co-presidente do Conselho do Hidrogênio, Benoît Potier.

Para Potier, “um futuro de energia limpa com hidrogênio está mais próximo do que pensamos. Isso porque o setor está trabalhando duro para enfrentar os principais desafios tecnológicos. Este relatório mostra o caminho a ser ampliado para alcançar totalmente a competitividade do hidrogênio. E, assim, fornecer urgentemente a descarbonização necessária”, acrescentou.

Emissões zero

Embora o conceito de usar hidrogênio como combustível de transporte ou fonte de calor não seja novo, McKinsey concluiu que o foco renovado no hidrogênio como combustível de emissão zero nos últimos anos foi estimulado por preocupações mais recentes sobre as emissões globais de gases de efeito estufa.

Um novo senso de urgência surge com o potencial do hidrogênio renovável para participar da resposta global às mudanças climáticas, visto o desenvolvimento de tecnologias de hidrogênio. Segundo o relatório: “ao contrário de épocas anteriores no desenvolvimento do hidrogênio, a atenção renovada ao hidrogênio é reforçada pela percepção de que o uso de hidrogênio será crítico se quisermos cumprir os objetivos climáticos. Os governos estão reconhecendo a capacidade do hidrogênio de descarbonizar setores que seriam impossíveis ou difíceis de diminuir – como logística, aquecimento industrial e matéria-prima da indústria – e seu papel na segurança energética”.

Empresas

O Conselho de Hidrogênio é formado por um coletivo global de grandes empresas de energia e fabricantes de tecnologia e equipamentos. Entre os participantes estão Shell, BP e AngloAmerican, Toyota, Hyundai, Audi e Honda.

Em novembro, a Thyssenkrupp anunciou que havia iniciado um teste de uso de hidrogênio renovável para fornecer calor a seus fornos de produção de aço. Esse é um primeiro passo em direção ao objetivo da empresa de fazer a transição de toda a produção de aço para o uso de hidrogênio.

Além do que vários desenvolvedores de energia renovável iniciaram estudos sobre a viabilidade de lançar projetos gigantes de energia eólica e solar na Austrália. O objetivo é de eventualmente fornecer eletricidade de baixo custo para a produção de hidrogênio. Isso inclui um projeto combinado de energia eólica e solar de 5.000 MW previsto para a Austrália Ocidental, com o apoio de fornecedor líder de eletrolisadores Siemens.

Referência: tradução livre a matéria redigida por , da Renew Economy (Austrália). Título:  Renewable hydrogen costs could halve by 2030, beating “unabated” fossil fuels

Foto abre: Renew Economy