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O agronegócio brasileiro é altamente competitivo. Mas, para manter essa posição, é preciso mostrar para as sociedades globais que a sustentabilidade ambiental é prioridade no agro. Essa foi uma das avaliações trazidas pelo Congresso Brasileiro do Agronegócio, evento virtual da ABAG e B3. que reuniu mais de 8000 participantes.

Marcello Brito, presidente do Conselho Diretor da ABAG, afirmou que o período pós-Covid 19 já mostra os sinais de uma realidade que priorizará a saúde, a sanidade e a sustentabilidade. “Também na esteira da saúde a luta contra a poluição, que em síntese tende a acelerar no mundo a economia verde, de baixo carbono na lógica da economia circular. Isso abre ao Brasil e ao mundo portas oportunas de um novo paradigma de desenvolvimento, numa visão moderna e socialmente mais justa e integrativa”.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, ressaltou que o Brasil é uma potência no agro, mas também na área ambiental. Isso porque consegue desenvolver e preservar de forma constante e contínua. “Estamos batendo recordes nas safras de grãos, melhorando nossa pecuária, diversificando nossos produtos, ao mesmo tempo, diminuindo o uso da terra e aumentando a produtividade”, disse.

O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, atual coordenador do GVagro da FGV, resumiu o debate, afirmando que o evento convergiu para dois temas centrais: a segurança alimentar e do alimento e a sustentabilidade. Ele avaliou a importância de eliminar a divisão entre produtores e ambientalistas.

“O Código Florestal é fundamental para todos nós. Ele não prejudicou nem auxiliou excessivamente nenhum dos dois lados. Precisamos acabar com essa diferença, por meio da ciência, tecnologia, racionalidade e política. O Brasil tem potencial agrícola e ambiental e elas precisam estar unidas, serem únicas, caminhando nessa direção. Ou seja, garantindo a segurança alimentar com sustentabilidade”, afirmou.

Sustentabilidade ambiental é prioridade no agro

Em um dos painéis do Congresso, Celso Luiz Moretti, presidente da EMBRAPA, trouxe as tendências para o futuro do agronegócio. Ele citou a presença da digitalização e da conectividade no campo, a bieconomia, a edição genômica das plantas, os sistemas integrados, com destaque ao iLPF (Integração-Lavoura-Pecuária e Floresta), sanidade e segurança do alimento e a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Para José Roberto Mendonça de Barros, sócio diretor da MB Associados, o pós-pandemia acentuará tendências que já eram perceptíveis. “O que garante o sucesso do agro é o desenvolvimento tecnológico e sustentável. Para aumentar a produção, por exemplo, não é necessário queimar nenhum hectare de terra. Contudo, o que é inaceitável é o que vem acontecendo com a Amazônia. É preciso ter zero leniência com o que é ilegal”.

Nesse sentido, André Guimarães, diretor Executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia IPAM, afirmou que é preciso reconstruir a reputação brasileira. Para isso, é preciso explicar que o meio ambiente não é externalidade para o agro, mas um aspecto intrínseco para o setor.

Segundo ele, o meio ambiente precisar ser considerado um ativo, com preservação da Amazônia sendo um investimento. A ciência, desse modo, precisar trabalhar para entender a dimensão da implicação climática em nível regional. E, assim mostrar, por exemplo, como a chuva que a Amazônia produz impacto o cerrado. “Temos que buscar o lado da harmonização, da produção e da conservação ambiental do Brasil para adquirir a reputação perdida e pavimentar o futuro da agricultura. Precisaremos de tecnologia, de muita floresta e de serviços ambientais”.

O filósofo Luiz Felipe Pondé concordou com a visão de Guimarães sobre o meio ambiente como um ativo. Ele ponderou que é preciso usar a ciência justamente nesse caso. Ou seja, para tornar mais claro o entendimento de que o meio ambiente é importante.

Humanizar o agro

Para trazer essa mudança na reputação do agronegócio, mostrar ao mundo quem faz o agronegócio brasileiro é imprescindível. Essa foi a avaliação do Embaixador do Brasil junto à União Europeia, Marcos Galvão. De acordo com ele, além das três questões apontadas como prioridade pela presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde: centralidade da questão ambiental e do clima, a digitalização da economia e no dia a dia das pessoas e a valorização da proximidade, é preciso colocar as pessoas no foco. “Precisamos humanizar e singularizar nossa agricultura, mostrar ao mundo os trabalhadores do agro brasileiro”, disse.

Paulo Sousa, presidente da Cargill no Brasil, concordou com Galvão e acrescentou que é preciso mostrar as pessoas e sua comunidade, que são as produtoras dos alimentos com segurança alimentar e sustentabilidade. Conforme explicou Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB, as cooperativas trabalham de forma a passar ao produtor as mais modernas tecnologias sustentáveis, atendendo, desse modo, a exigência de rastreabilidade no processo de produção dos alimentos.

Na avaliação de Grazielle Parenti, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), pelo mundo estar interligado, as concepções que são vistas no mundo já permeiam o Brasil, como é o caso da sustentabilidade. Por fim, ela ressaltou que o agro organizado não tem nada a ver com a criminalidade e a ilegalidade e que o segmento está gerando empregos e riqueza para todo o povo brasileiro.

Fábio Zenaro, diretor de Produtos Balcão, Commodities e Novos Negócios da B3 comentou sobre os green bonds.  “Alguns investidores estão afirmando que só investirão em ações que tiverem esse selo. É preciso estar muito atento a essa questão e entender os benefícios de emitir um título green”.

A íntegra do Congresso Brasileiro do Agronegócio está no Canal da ABAG no YouTube.

Imagem: Kranich17 – Pixabay