A Califórnia (EUA) está se preparando para receber a maior usina para transformação de resíduos em energia à base de hidrogênio do mundo. Em parceria com a cidade de Lancaster, a Super-green Hydro (SGH2) está lançando uma planta que, em meados do início de 2021, começará a processar 42 mil toneladas de resíduos sólidos para conversão em hidrogênio.

“Somos a única empresa a fornecer hidrogênio verde com o custo competitivo em comparação ao hidrogênio tradicional feito de carvão e gás. Além disso, ele é muito mais barato que outros hidrogênios verdes”, disse o Robert Do, CEO da SGH2. “Nossa tecnologia pode ser escalada rapidamente, produzindo energia ininterruptamente durante todo o ano”.

A proposta da usina, desse modo, é ter uma operação 24 por 7 para produção de 11 mil kg de hidrogênio diariamente. De acordo com a SGH2, isso os torna três vezes maiores do que qualquer outra usina de energia à base de hidrogênio, uma fonte descrita por eles como o “elo perdido” para um mundo descarbonizado.

Hidrogênio ainda mais verde

A SGH2 desenvolveu um sistema pelo qual o gás, rico em oxigênio, é alimentado em uma câmara, que contém uma tocha de plasma. Essa tecnologia é responsável por aquecer os diferentes resíduos a mais de 3500ºC. Com isso, possibilita uma rápida mudança de estado – sólido para líquido, para gasoso e, finalmente, para plasma -, que separa os átomos de hidrogênio das moléculas de hidrocarboneto, que são então usadas como energia. O alto calor também remove qualquer alcatrão ou partícula que às vezes pode ser produzido como subprodutos.

Para comprovar a eficiência desse método, o Lawrence Berkeley National Lab realizou uma análise de carbono do ciclo de vida desse hidrogênio. Como resultado, descobriu-se que, para cada tonelada de hidrogênio produzida, a tecnologia mitigava entre 23 e 31 toneladas de dióxido de carbono. Ou seja, ante aos outros processos de produção de hidrogênio verde (eletrólise e energia renovável), são evitados entre 13 e 19 toneladas de dióxido de carbono.

A tecnologia de plasma da SGH2 foi originalmente projetada para resíduos da saúde. Contudo, ela pode ser usada para diversos segmento. Isso porque qualquer resíduo que seja um problema para aterros, ainda mais se conter átomos de hidrogênio, é uma oportunidade para ela realizar a transformação de resíduos em energia a hidrogênio.

Conforme está explicado no site da empresa, o processo extrai todo o carbono dos resíduos. Ademais, remove todas as partículas e gases ácidos e não produz toxinas ou poluição. Como resultado há a produção de hidrogênio altamente puro e de uma pequena quantidade de dióxido de carbono biogênico.

Custos

Os custos de produção atuais nos EUA são projetados em US$ 2 por 2 libras de hidrogênio verde. O hidrogênio tradicional, que responde por cerca de 30% de toda a energia de hidrogênio, é produzido a partir de um processo de gaseificação de carvão pelo mesmo custo, embora varie de acordo com o país.

Por fim, o design da tecnologia permite que sua escalabilidade para qualquer tipo e tamanho de operação. Além disso, sua construção exige uma menor área e menos capital em relação às atuais plantas de hidrogênio verde, dependentes de parques eólicos ou painéis solares.

Referência: Tradução livre de Good News Network – World’s Largest Green Hydrogen Plant Will Soon Be Turning California’s Trash into Ultra-Cheap Fuel

Foto: Zero Emission Resource Organization, CC