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Mesmo contando com cerca de 12% da água doce disponível no planeta, país precisa melhorar a forma como esse recurso é armazenado, gerenciado e alocado aos seus usuários

Até 2050, a demanda mundial por água deve aumentar cerca de 1% ao ano, o que representa uma alta entre 20% e 30% ante ao nível atual do uso desse recurso fundamental à vida. Segundo o relatório de 2019 das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, essa taxa anual de elevação já vem sendo registrada desde 1980, o que significa que o consumo de água vem subindo de forma constante, em um movimento ocasionado por fatores como crescimento populacional, desenvolvimento socioeconômico e mudanças nos padrões de consumo das populações.

O relatório revela que cerca de 4 bilhões de pessoas sofrem com escassez severa de água durante ao menos um mês por ano, enquanto mais de 2 bilhões moram em nações que experimentam alto estresse hídrico. No Brasil, apesar de 23% dos municípios nacionais terem sofrido com a falta de água em 2017, um estudo recente do World Resources Institute (WRI) avalia que maior parte do país possui um baixo risco de estresse hídrico.

O Distrito Federal é o território em situação de maior estresse hídrico (médio-alto), seguido pelos estados do Ceará, Paraíba, Rio de Janeiro e Pernambuco. “A questão dos recursos hídricos em nosso país requer mais atenção, pois falta conscientização por parte da população em geral”, afirma a bióloga Ana Luiza Fávaro, diretora técnica da Acqua Expert Engenharia Ambiental.

valorização dos recursos hídricos

Segundo ela, as indústrias precisam cumprir padrões rigorosos de preservação do recurso hídrico, mas a fiscalização é quase zero, o que permite a muitas empresas descumprir o que realmente deve ser feito. “Temos ainda a questão da agricultura, com o lançamento de uma quantidade considerável de poluentes nas águas e, infelizmente, não há uma legislação específica sobre o assunto e, menos ainda, fiscalização”, assevera.

Alternativas

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o Brasil conta com cerca de 12% da disponibilidade de água doce do planeta, incluindo uma grande quantidade de aquíferos. Porém, a disponibilidade hídrica não depende apenas da quantidade de água fisicamente disponível, pois – segundo a especialista – é preciso pensar a forma como esse recurso é armazenado, gerenciado e alocado para seus diferentes usuários. E isso inclui aspectos relacionados à reciclagem e ao reúso da água.

Ana Luiza Fávaro: conscientização e políticas públicas para evitar o estresse hídrico

Para Ana Luiza Fávaro, a implementação de sistemas de reúso de água e de dessalinização da água do mar pode contribuir para uma melhor distribuição de água, erradicando questões ligadas ao estresse hídrico. Afinal, as tecnologias nesta área estão bem avançadas. “Um exemplo é o sistema de filtração por membranas, que garante que o esgoto saia totalmente livre de vírus e bactérias, podendo ser reutilizado diretamente”, comenta. “Já a tecnologia de Osmose Reversa pode fazer a dessalinização da água do mar, ajudando as cidades que já sofrem com a falta de água.”

No entanto, a diretora reitera que existem outros desafios que precisam ser vencidos, sendo o maior deles a questão relacionada às políticas públicas, que devem priorizar o tratamento de esgoto. “Isso é primordial para melhorar a qualidade das águas e também para melhorar a saúde, pois muitas crianças ainda morrem diariamente no Brasil por doenças provocadas pela falta de saneamento”, ela aponta.

De acordo com o Instituto Trata Brasil, 100 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto e 35 milhões não recebem água potável. Ou seja, a cobertura de água e esgoto no país é de 83,3% e 51,9%, respectivamente. A especialista cita ainda um segundo desafio – a educação ambiental –, necessária para conscientizar a população a respeito dos prejuízos causados, por exemplo, pelo lixo jogado em corpos hídricos.

Além do desequilíbrio ambiental, afetando a fauna e flora de diversas regiões e ameaçando as espécies marinhas, existe o problema da proliferação de insetos vetores de doenças e contaminação da água. “No Brasil, dois milhões de toneladas de resíduos chegam aos oceanos todos os anos”, ela informa.

Visibilidade

Nesse sentido, já existem no país ações para mitigar a degradação de rios, como a despoluição do rio Pinheiros, por exemplo, um projeto do governo do estado de São Paulo que deve envolver um montante de R$ 1,5 bilhão para que o rio esteja limpo até 2022. “Um dos desafios cruciais para esse projeto é parar de receber lixo e esgoto”, diz Ana Luiza Fávaro, acrescentando que há exemplos importantes de despoluição de rios no mundo, como o Tâmisa. “Atualmente, a saúde desse rio é acompanhada de perto por oito sensores em tempo integral, concedendo informações a cada 15 minutos sobre oxigênio dissolvido (OD), temperatura, fósforo e amônia”, diz ela. “E, a partir desse monitoramento, são enviados alertas para que a companhia local de águas possa tomar decisões para melhorar a qualidade das águas.”

Para dar visibilidade ao tema, a BW Expo e Summit 2020 – 3ª Biosphere World conta com um Núcleo Temático de Conservação de Recursos Hídricos, cuja curadoria está a cargo de Ana Luiza Fávaro. “O evento vai contribuir para dar passos importantes rumo à conscientização ambiental, pois pretendemos ampliar o olhar das pessoas sobre a importância de proteger nossos recursos hídricos”, afirma. “Todos terão oportunidade de ver que as tecnologias estão à disposição com preços acessíveis e que está na hora de exigir políticas públicas assertivas dos governantes para reduzir esses problemas ambientais.”